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Reflex�es sobre a guerra

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RUYTER BARCELOS * Muito se tem falado sobre a atual guerra contra o Iraque. Motivos alegados não faltam. Uns dizem ser o petróleo, outros a hegemonia americana no mundo atual ? a conhecida unimultipolaridade, que impõe regras ao cenário político internacional. De fato, a verdade só será conhecida após alguns anos. É notório que a coalizão anglo?americana defende a deposição de Saddam Hussein, bem como busca alternativas para o fornecimento de petróleo, pois seus principais fornecedores ? Arábia Saudita e Venezuela ? enfrentam problemas internos. O primeiro é um governo que não respeita os direitos humanos em sua forma despótica de conduzir o pais ? uma relação político-econômica negativa aos americanos; o segundo vive uma crise interna sem precedentes, que só deixou o espaço na mídia mundial devido ao conflito no Golfo. Com abastecimento ameaçado, é racional buscar outra fonte de abastecimento. O problema maior passa a ser o atropelo ao Direito Internacional e às regras de convivência entre as nações. O desrespeito aos ditames da Organizações das Nações Unidas coloca em questionamento sua finalidade e autoridade moral. Se ela existe para ser respeitada para que existir ? Ao final dos fatos, será importante discutir os estragos produzidos na imagem internacional daquele importante Órgão e, talvez, redefinir seu papel ou mesmo negar sua existência. Sobre a guerra, a coalizão está conduzindo uma estratégia e táticas ortodoxas, clássicas, previsíveis, tais como: progressão de forças blindadas com apoio aéreo, principalmente de helicópteros, lançamento de tropa pára-quedista para conquista de aeroportos, combate em área urbana precedido de cerco e isolamento, emprego maciço de Força Aérea para bombardeio da infra-estrutura de um pais, dentre tantas outras. Tudo muito previsível, dentro da doutrina militar. Talvez neste ponto resida seu erro estratégico. Há coalizão ficaria vulnerável ao heterodoxo, ao imprevisível? A História Militar ensina que sim, particularmente a Guerra do Vietnã é rica em ensinamentos dessa natureza . Pode-se prever o que ocorrerá caso o Exército de Saddam, apoiado pela população local, decida passar à condução de Operações Militares Irregulares: dificuldades para manter as linhas de suprimentos e o fluxo logístico às tropas da vanguarda, tumulto e morte na área de retaguarda, mais tropas engajadas na proteção de instalações, aumento do efetivo de militares naquele país para assegurar o controle de cidades, e, por último, uma nova Stalingrado na Batalha de Bagdá. Vale dizer , uma guerra prolongada. Em tais condições, como ficaria a opinião pública americana? Provavelmente, a síndrome do Vietnã provocaria a derrota americana. Seria a vitória do mundo islâmico, o reforço à liderança de Saddam na região e o começo do fim da hegemonia americana. O que será pior para o Ocidente? Por falar nisso, a análise prospectiva já sinaliza nessa direção. O ocaso da superpotência já começou, é uma questão de tempo. E já existe uma nova superpotência em gestação: a China. Um poder que terá condições de se contrapor à América na década de 2020, algo em torno de 2025. É ver para crer. Para quem estiver vivo. A História se repete? É claro que sim. Vejamos: Roma e Cartago; Portugal e Espanha; França e Inglaterra; e, mais recentemente, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Lembram-se das legiões romanas? Elas dominaram o Mundo... (*) É CORONEL RR DO EXÉRCITO E FOI COMANDANTE DO BATALHÃO HERMES DA FONSECA ? 59º BiMTZ

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