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Blair promete entregar governo aos iraquianos

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CASSIA MARIA RODRIGUES DE O GLOBO Londres ? Na mais recente manifestação de descontentamento com os planos de Washington para administrar o Iraque do pós-guerra, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reafirmou o compromisso político de entregar ao povo iraquiano o governo de seu próprio país. A promessa foi reiterada em duas ocasiões: num encontro com líderes da oposição iraquiana, recebidos s exta-feira em Downing Street, e durante entrevistas ao serviço de notícias árabe da rede BBC e à emissora de TV Abu Dhabi. A promessa também foi enviada em mãos aos iraquianos. Uma carta aberta de Tony Blair, escrita em árabe, foi distribuída pelas tropas britânicas, em mais uma tentativa de ganhar a simpatia da população local. O texto foi divulgado em 60 mil folhetos, nos quais estava também uma foto de Blair. Um dos trechos da carta reforça as divergências entre Londres e Washington sobre o futuro do Iraque: ?Assim que o regime iraquiano cair, o trabalho para construir um novo Iraque, livre e unido, terá início. Um Iraque próspero e pacífico que será governado pelo e para o povo iraquiano. Não pela América, não pela Grã-Bretanha, não pela ONU ? embora todos nós ajudaremos ? mas por vocês, povo do Iraque.? Em outro trecho da carta, o primeiro-ministro pede paciência aos iraquianos. ?Pela primeira vez, em 25 anos, vocês estarão livres da sombra de Saddam e poderão esperar por um novo recomeço para as suas famílias e o seu país. O dinheiro do petróleo do Iraque será de vocês, e não mais será usado em benefício próprio de Saddam Hussein?, garantiu o premier, prometendo que as tropas britânicas deixarão o país assim que o trabalho da reconstrução esteja concluído. ?Eles não ficarão nem um dia a mais do que o necessário?, promete Blair no fim da carta. Apoio e simpatia A iniciativa político-diplo-mática de Downing Street, como observam analistas políticos, representa bem mais do que uma simples tentativa para ganhar o apoio e a simpatia dos iraquianos para a campanha militar para a libertação do país do regime ditatorial de Saddam Hussein. Nos bastidores da coalizão anglo-saxônica, os analistas já percebem o início de uma outra batalha ? aquela que no futuro deve beneficiar gigantes do setor petrolífero mundial ? só que desta vez situando em lados opostos os interesses de Londres e Washington. A mídia britânica e analistas políticos apostam que seria por este motivo que Tony Blair estaria trabalhando para reconstruir as relações diplomáticas da Grã-Bretanha com a ONU, deterioradas antes do início da campanha militar no Iraque. À Grã-Breta-nha, particularmente, não interessa lutar, sozinha, contra os Estados Unidos, por seus interesses no front do petróleo.

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