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Lembran�as de um Iraque melhor

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São Paulo ? Filho de professor de literatura inglesa, pai de um norte-americano e de uma brasileira, Mahir Hussein vive no Brasil desde 1971, mas deixou a maior parte da família em Bagdá, a capital do seu país de origem. Professor do Instituto de Física da Universidade de são Paulo (USP) desde então , ele poucas vezes voltou ao Iraque. Uma, em 1996, quando levou para os sobrinhos em idade ginasial cadernos, pastas de plástico e lápis. ?As sanções contra o Iraque na época chegavam a ponto de proibir a entrada de grafite em terra iraquiana, sob alegação da possibilidade do mau uso do carbono. Livros didáticos também eram impedidos de entrar no país.? O físico é um dos participantes do debate ?A Guerra depois da Guerra?, que aconteceu quarta-feira, às 18h, na sede paulista do Itaú Cultural. A última notícia que teve das irmãs e sobrinhos foi há dez dias, antes de os bombardeios danificarem as linhas telefônicas, o que prejudicou a comunicação com a capital. ?Elas estavam se sentindo em segurança. As casas em Bagdá têm abrigo subterrâneo par a proteger os moradores do calor e eles são seguros em ataques terrestres. Meu medo é que o calor (que nessas épocas chega a 50 graus na região) vença as tropas norte - americanas por terra e então os ataques passem a ser executados apenas pelo ar, em áreas civis.? O professor de física vivia nos Estados Unidos quando Saddam Hussein assumiu o poder, em 1968. Faz questão de demonstrar apreço pelo país, onde estudou e trabalhou por cinco anos. Doutor em física nuclear, ele ganhou uma bolsa de estudos do Massachusets Institute of Technology (MIT) quando era recém-formado pela Universidade de Bagdá. ?Na época, a língua que se falava na universidade iraquiana era, predominantemente, o inglês. Tínhamos um fluxo de professores estrangeiros muito grande. Dessa forma, não estranhei nada quando fui viver nos Estados Unidos.? Mas também não esconde as críticas à política deste e de outros governos norte-americanos em relação ao mundo árabe. ?Nada contribuiu para a manuteção de Saddam Hussein no poder como as sanções que os Estados Unidos aplicaram contra o Iraque?. Universidade Até o ditador leva um crédito na análise do professor, opositor ferrenho do regime de Saddam Hussein. Ele conta que nos anos 60 e 70 o ensino iraquiano tornou-se referência entre os países árabes. ?Iam estudantes da Jordânia, do Sudão e de muitos outro países, estudar com bolsas nas escolas e universidades que Saddam Hussein construiu com o dinheiro do petróleo?, descreve. ?Além de Israel, nenhum outro país do Oriente Médio viu sua universidade crescer tanto como o Iraque.?

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