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Imagens dif�ceis de esconder

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DEBORAH BERLINCK DE O GLOBO Não adianta esconder das crianças as imagens da guerra no Iraque: elas vão vê-las de qualquer forma, na casa de amigos e nas ruas. Serge Tisseron, psiquiatra e psicanalista, diretor de pesquisas da Universidade Paris, que acaba de publicar o livro ?Les bienfaits des images?, aconselha os pais a não tentarem explicar às crianças uma guerra que nem eles entendem. ?Para as crianças?, diz em entrevista ao GLOBO, ?o que importa é se sentirem seguras?. O GLOBO: Quais os efeitos das imagens de guerra sobre as crianças? Tisseron: Não podemos saber as imagens de guerra que mais afetam as crianças sem falar com elas. Um adulto pode ficar perturbado com uma imagem que mostra um cadáver. Mas uma criança pode ficar perturbada com outro tipo de imagem, como uma que mostra um brinquedo no meio dos destroços de uma casa. O adulto não deve se guiar por suas próprias emoções para saber o que afeta a criança. É preciso dar espaço à criança para que ela diga: ?eu também estou chocado com essa imagem?. Ou: ?essa imagem não me diz coisa alguma, mas a imagem de uma criança que chora me deixa angustiada?. Nesse diálogo, o que é mais importante? Tisseron: O importante é que os pais dêem segurança às crianças de que estão a seu lado para protegê-las. Para que isso aconteça, é preciso que os pais superem o medo. As crianças precisam dos adultos para ajudá-los a superar seus medos. Dizendo que as tragédias da guerra não vão acontecer com elas, por exemplo? Tisseron: Sim. Pode-se dizer às crianças: ?essas coisas são terríveis, mas isso se passa no Iraque?. É muito importante mostrar às crianças o mapa. Trata-se de uma forma de dar segurança, provar que isso está acontecendo longe de casa e que os pais estão sempre por perto para protegê-las. Um exemplo são os contos de fada. Os pais contam histórias horríveis, mas as crianças estão calmas, se sentem seguras. O mesmo acontece com as notícias da atualidade: se os pais ajudam a criança a tomar distância em relação a um episódio, ela se sentirá segura. Relatar a guerra como um conto de fadas? Tisseron: (risos). Não! O que quero dizer é que uma criança pode se deparar com imagens muito angustiantes, mas se seus pais não conseguirem lidar com suas próprias angústias, a criança vai se sentir insegura e ficará ainda mais angustiada. Difícil explicar a guerra a uma criança pequena, não? Tisseron: Não dá para explicar uma guerra, ou compreender. Nós nem sabemos porque Bush faz a guerra. Alguns dizem que é por causa do petróleo; outros, por causa de sua moral cristã, ou para desenvolver seu modelo no Oriente Médio. Não entendemos a guerra, então não vamos tentar explicá-la às crianças. O que importa para elas não é a explicação da guerra, é a sensação de segurança, é saber que, se alguma coisa de grave acontecer no seu país, seus pais estarão lá para protegê-los, porque eles o amam. Como detectar o trauma das crianças? Tisseron: Quando uma criança desenha sempre o mesmo episódio e de forma idêntica, isso prova que ela está terrivelmente perturbada. Se faz vários desenhos diferentes sobre o mesmo tema, é uma demonstração de que está tentando digerir o episódio. Se não quer falar de uma imagem chocante que viu, isso prova que recebeu muito mal esta imagem.

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