Internacional
EUA x Iraque: inoc�ncia mutilada
Dezoito dias após o início da guerra das forças anglo-americanas para destituir o presidente Saddam Hussein do poder, os ataques devastadores já causaram centenas de mortes e deixaram muitos iraquianos mutilados, entre eles, grande número de crianças. A cada toque de sirene, anunciando a aproximação dos ataques, ou a cada explosão de míssil, elas são o retrato do medo e do pavor. Levadas pelos pais em busca de refúgio, em Bagdá ou outras cidades atacadas, são as maiores vítimas desse conflito que não separa militares de civis, homens de mulheres, adultos de crianças. O drama vivido em quase três semanas pelos iraquianos não transmite insegurança apenas para os que participam diretamente da guerra. Longe do front, das cidades despedaçadas, nos lares mais longínquos também se vive o pesadelo da batalha, com as principais vítimas sendo as crianças. E não adianta esconder delas as imagens do conflito no Iraque: elas vão vêlas de qualquer forma, na casa de amigos e nas ruas. Na televisão, no rádio e nos jornais, predominam retratos da luta armada. Serge Tisseron, psiquiatra e psicanalista, diretor de pesquisas da Universidade de Paris, que acaba de lançar o livro Les bienfaits des images, aconselha os pais a não tentarem explicar às crianças uma guerra que nem elas entendem.