Internacional
Bush e Blair discutem governo de transi��o
Belfast ? O presidente dos EUA, George W. Bush, e o premier britânico, Tony Blair, iniciaram ontem em Belfast, Irlanda do Norte, discussões mais conclusivas sobre o Iraque pós-guerra e a participação da ONU na reconstrução do país. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que acompanhou Bush na viagem, afirmou que EUA e Reino Unido devem ?liderar? o processo de transição. ?Os países da coalizão assumiram o risco político da invasão. E o estamos pagando com vidas?, justificou Powell. O secretário norte-americano disse que os EUA vão enviar esta semana ao Iraque um grupo de exilados para começar a formar um governo de transição. ?Estamos nos preparando para uma fase de pós-hostilidades, onde uma resolução da ONU poderia ser útil e apropriada. Discutimos agora o tipo de governo de transição que devemos ter, e não há dúvidas de que as Nações Unidas devem participar?, reforçou. Powell passou boa parte do fim de semana em conversas com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobre o futuro do Iraque. Ontem, Annan revelou que a ONU deverá ter um papel ?fundamental? na ajuda humanitária e que o governo provisório no país deve ser apenas ?uma ponte? para a constituição de uma autoridade definitiva. A questão que Bush e Blair devem tentar responder, hoje, em entrevista, depois de passarem a noite no castelo de Hillsborough, é qual a composição do governo de transição que querem formar. Powell adiantou que os dois líderes, que se encontraram pela terceira vez em três semanas, devem dizer hoje que a campanha no Iraque está indo ?excepcionalmente bem?. Dentro da ONU, são consideradas limitadas as chances de o Conselho de Segurança aprovar uma resolução para participar do Iraque pós-guerra se o Pentágono estiver na liderança de um processo de transição muito longo. /// Cruz Vermelha reclama de precariedade em hospitais Bagdá ? Cenas terríveis recepcionaram funcionários da Cruz Vermelha no único hospital de Bagdá que eles puderam visitar em meio aos combates de ontem: fluxo constante de vítimas, cirurgiões trabalhando sem descanso e os estoques de anestesia diminuindo. Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) em Bagdá disse que os intensos combates entre as forças norte-americanas e iraquianas impediram que os representantes do organismo chegassem aos hospitais, com exceção do de Kindi, próximo do centro da cidade. Ali, os médicos disseram ter recebido tantos feridos que já estavam ficando sem anestesia e outros equipamentos básicos. A Cruz Vermelha ajudou a reabastecer o hospital com um caminhão cheio de suprimentos, disse o porta-voz Roland Huguenin-Benjamin. Os médicos em Kindi disseram que o hospital recebeu quatro mortos e 176 feridos nas últimas 24 horas. ?Os cirurgiões estão trabalhando contra o relógio nos últimos dois dias e a maioria está exausta. As condições são terríveis?, disse Huguenin-Benjamin. ?Explosões podiam ser ouvidas a uma distância muito pequena. As janelas eram sacudidas pelas explosões. Vimos muitas ambulâncias e carros particulares trazendo vítimas?, acrescentou. A situação era a mesma no hospital de Kadhimiya, no norte da cidade, onde médicos disseram ao correspondente da Reuters Hassan Hafidh que 18 mortos e 141 feridos foram trazidos desde domingo. Muitos pacientes disseram que foram feridos por bombardeios quando tentavam fugir em direção ao norte do país pela estrada que leva à cidade de Mosul. Uma mulher disse que perdeu seus pais e cinco irmãs. ?Se os outros (hospitais) estão tendo tantas (vítimas como em Kindi), é problemático. Amanhã (hoje), nós tentaremos visitar os outros?, disse Huguenin-Benjamin. Ele disse que os hospitais dependiam agora de geradores e que obter água limpa era uma prioridade. A Cruz Vermelha é uma das poucas organizações humanitárias que ainda mantêm equipe em Bagdá. Em sua sede em Genebra, a organização disse que o limite dos hospitais de Bagdá estava chegando ao fim. ?Alguns hospitais não podem mais receber nenhum ferido de guerra. Eles estão no limite?, disse a porta-voz Nada Doumani.Os feridos não estão sendo recusados, mas muitos hospitais não têm mais camas vagas e os pacientes estão sendo tratados onde os médicos conseguem encontrar lugar.