Internacional
Tropas dos EUA ocupam pal�cios de Saddam
Bagdá e Washington ? Blindados norte-americanos invadiram ontem o centro de Bagdá e estabeleceram posição em um dos palácios usados pelo presidente Saddam Hussein, enquanto no centro do país as tropas ocidentais encontraram um suposto arsenal de armas químicas. Os militares disseram que a incursão em Bagdá, que teve mais de cem tanques e blindados, teve como objetivo mostrar que as tropas podem entrar na capital, de 5 milhões de habitantes, no momento em que quiserem. Outros dois palácios presidenciais teriam sido ocupados pelas forças de coalizão O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, disse não saber o que aconteceu com Saddam, mas garantiu que ele continua perdendo o controle sobre o Iraque e já tem poucos soldados. ?Há três possibilidades: ele está morto, ferido ou não quer aparecer?, afirmou, em Washington. O secretário britânico da Defesa, Geoff Hoon, disse haver fortes indícios de que um dos homens mais próximos de Saddam, seu primo Ali Hassan Al Majid, conhecido como ?Ali Químico?, teria sido morto durante um bombardeio a Basra, no sul do Iraque. Majid deve seu apelido ao ataque com gás que ele ordenou contra os curdos, na década de 1990. Ele é o responsável pelas defesas do sul do Iraque. ?Acreditamos que o reinado de terror de Ali Químico tenha chegado ao fim?, afirmou Rumsfeld. Ao anoitecer, as tropas norte-americanas permaneciam no palácio presidencial que fica na margem oeste do rio Tigre, aparentemente decididos a pernoitar no local. O general Richard Myers, chefe do Estado-Maior norte-americano, disse que a resistência iraquiana é esporádica e incoerente, mas que os combates mais duros ainda estão por ser travados. Mesmo assim, disse ele, o governo iraquiano não parece ter condições de organizar uma defesa adequada de sua capital. ?Dos mais de 800 tanques com os quais eles começaram, só algumas dezenas não foram destruídos ou abandonados?, afirmou o general. Segundo o comando militar, as primeiras informações dão conta de menos de dez baixas entre os norte-americanos no ataque. Dois marines teriam sido mortos e outros três ficaram feridos, aparentemente vítimas de ?fogo amigo?, nos combates por duas pontes no rio Tigre, a leste. Outros dois soldados e dois jornalistas morreram, e 15 pessoas ficaram feridas, em um ataque iraquiano a um centro de comunicações ao sul de Bagdá. Antes dessas informações, o major Michael Hamlet, da 101ª Divisão Aerotransportada, disse que os testes iniciais em uma substância achada em um campo de treinamento no centro do Iraque revelaram sinais de três agentes químicos, entre eles os gases sarin e tabun. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha foram à guerra contra o Iraque porque acham que o regime de Saddam possui armas de destruição em massa, o que Bagdá nega. ?Se os testes dos especialistas confirmarem isso, acho que pode ser [...] a prova de que Saddam tem as armas que vínhamos dizendo?, afirmou o major à Reuters. Os novos testes, segundo Hamlet, devem ser feitos na terça-feira. O suposto arsenal químico foi encontrado num quartel às margens do rio Eufrates, entre Kerbala e Hilla, o local da antiga Babilônia. No que parece ser um outro incidente, a rádio estatal norte-americana disse que as tropas do país encontraram 20 mísseis de médio alcance carregados com ogivas químicas, nos arredores de Bagdá. O comando militar dos EUA no Qatar não confirmou a informação. /// Ataque de aliados deixa 14 civis mortos, entre eles duas crianças Bagdá ? Pelo menos 14 civis morreram ontem na explosão causada pela queda de um míssil no centro de Bagdá. De acordo com testemunhas, o míssil deixou uma cratera de uns 15 metros de diâmetro por 8 metros de profundidade e destruiu três casas em Ramadan 14, a principal artéria comercial do bairro de Al-Mansur. Nove membros de uma mesma família, entre eles duas crianças, e outras cinco pessoas de uma outra família morreram no bombardeio. Equipes de resgate trabalharam toda a noite na busca por pessoas desaparecidas nos escombros dos prédios destruídos. Vidros quebrados e blocos de concreto cobriam as calçadas, principalmente em frente ao restaurante Al-Sa?ah, onde o presidente Saddam Hussein fez uma desafiadora aparição pública na sexta-feira passada. A porta-voz da Organização Mundial Saúde (OMS), Mélanie Zipperer, afirmou que existe um risco de epidemia de cólera no Iraque, onde os hospitais estão totalmente lotados. ?Constatamos um grande risco de epidemia. Como a população tem um acesso limitado aos produtos alimentícios e à água potável, é muito possível que haja uma epidemia de cólera e infecções respiratórias?, declarou Zipperer. De acordo com a porta-voz, se a situação se agravar, o risco é de uma crise humanitária. Ela também assinalou que não há meios de acesso às populações e lamentou que o Programa petróleo por alimentos tenha sido interrompido. A televisão iraquiana voltou a mostrar imagens do presidente, Saddam Hussein, chefiando uma reunião com seus principais comandantes militares. A reunião ? disse o canal ? foi dedicada a analisar o transcurso da guerra, mas a partir das imagens era impossível deduzir a data da gravação. Ao lado de Saddam estava o ?número dois? do regime, Taha Yassin Ramadan, e um dos filhos de Saddam, Qusai Hussein, além de altos comandantes do exército e da Guarda Republicana. A televisão iraquiana mostra praticamente todo dia imagens de reuniões de Saddam com seus assessores, mas os discursos do presidente diante das câmaras são ultimamente quase sempre lidos por outras pessoas.