loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Internacional

Internacional

Se a guerra fosse no Brasil...

Ouvir
Compartilhar

RUYTER BARCELOS * Mais do que se preocupar com a sua autopreservação diante das ameaças militares externas, os Estados tendem hoje a concentrar seus esforços no jogo das forças econômicas, julgando que a soberania, o poder nacional e a capacidade de influência se ampliam com o fortalecimento da economia e dos indicadores sociais. É fato que uma sociedade mal integrada e com baixo desempenho econômico é muito mais susceptível de ser afetada por problemas como o narcotráfico, o terrorismo, o crime organizado e a corrupção, subprodutos de um mundo em que se acirram fatores desencadeadores dessas distorções. Mais ainda, na dicotomia estabelecida entre os mais ricos e os menos favorecidos, pode-se supor que estes têm prejudicado seus interesses nacionais em benefício daqueles, constatação que, se verdadeira, coloca em questionamento a Liberdade e a Independência de um país. Outro aspecto fundamental no mundo atual trata das alterações que o Exército dos Estados Unidos da América fez na sua estratégia global, a partir de suas conclusões sobre o 11 de setembro de 2001. Assim, desde 18 de setembro de 2002, transformar o futuro passou a ser vital para aquela nação. Interesses Permanentes daquele país, a considerar de igual proporção com seus objetivos, tratam da Paz e estabilidade no Hemisfério Ocidental, bem como a vitalidade da economia global. Além disso, algumas de suas metas passaram a ser: dissuadir futura concorrência militar, prevenir ameaças aos interesses dos EUA e derrotar decisivamente agressões caso a dissuasão não dê resultado. Destaca-se neste contexto um de seus princípios que é manter um equilíbrio regional favorável. O planejamento de sua força antes baseado na ameaça passou a ser baseado na capacidade, sendo que para o próximo quadriênio é objetivo possuir um poder de combate tal que seu Exército tenha condições de vencer um de cada dois conflitos que venha a combater. É uma estratégia bastante belicista e agressiva. No cenário ora estabelecido é questionável se algum país possui poder nacional para contrapor-se ao poder nacional dos EUA. Paralelamente, conceitos preocupantes têm destaque na mídia internacional tais como a soberania limitada, o dever de ingerência, o direito de intervir, a interferência humanitária e a redefinição do papel das Forças Armadas. O Brasil ocupa um plano bastante secundário no cenário atual, juntamente com a América Latina, enquanto as atenções das nações se voltam para a unimultipolaridade estabelecida com a supremacia americana, um país sem sombra de dúvida na fronteira tecnológica em todas as expressões do poder nacional. Conceitualmente, vivemos a era da ?Pax Americana?. Como se contrapor às imposições dessa superpotência, como não atender seus interesses estratégicos? Caso algum país o faça, suas linhas de créditos internacionais serão bloqueadas e sua economia condenada ao sofrimento, seu povo submetido à exclusão social e a convulsão social será uma questão de tempo. Nestes termos, qual poderá ser o futuro imediato de um país como o Brasil? Submissão ou enfrentamento? O poder nacional brasileiro não é o necessário e suficiente para respaldar um posicionamento de confronto. A associação das idéias acima sugere a pergunta: e se a guerra fosse no Brasil? Afinal motivos não faltam ou poderiam ser criados, pois é fácil para uma superpotência gerar um conflito. Por exemplo, segundo a mídia internacional, a Amazônia brasileira está sendo devastada, ela é o pulmão do mundo, e, para alguns países, ela já é um território internacional. Aí está um bom motivo para a intervenção de uma coalizão como a anglo-americana. E agora, o que fazer? Estamos em condições de defender o território brasileiro? A Pátria de ?chuteiras? tem condições de se transformar em uma Pátria de ?fuzil?? Quais são as reais condições, materiais e operacionais, das Forças Armadas brasileiras? Vamos discutir o tema? (*) é coronel da reserva do Exército brasileiro e foi comandante do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado

Relacionadas