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Balan�o da guerra: mais de mil mortos em 22 dias

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Bagdá, Washington e Londres ? Mesmo diante da impossibilidade de contabilizar o número exato de vítimas em 22 dias de guerra, um balanço elaborado com base em informações divulgadas por diferentes fontes indica que, do dia 20 de março, quando as forças anglo-americanas iniciaram os combates, até quarta-feira feira desta semana, morreram cerca de 860 iraquianoso e uns 6.600 ficaram feridos. Em seus balanços, o governo iraquiano não diferenciava civis de militares, mas afirmava de maneira geral que quase todas as vítimas anunciadas eram civis. Sem constar da lista, cinco iraquianos morreram sexta-feira, segundo testemunhas, durante uma troca de tiros entre partidários de Saddam Hussein e marines americanos. Na quinta-feira, conforme relato de um fotógrafo da AFP, quase vinte corpos foram vistos nas ruas ou dentro de carros queimados no bairro de Al-Dora, sul de Bagdá. Dezoito combatentes curdos morreram em incidentes de ?fogo amigo? causados por aviões de combate americanos, segundo as autoridades curdas. O Pentágono divulgou na sexta-feira que 107 soldados americanos morreram na guerra, outros dez estão desaparecidos e sete são prisioneiros de guerra. O Departamento de Defesa dos EUA não identificou os soldados mortos, mas disse que 95 dos 107 estavam em ação contra forças iraquianas quando foram mortos. Durante as três semanas de guerra, 12 morreram em acidentes, segundo o Pentágono. Um total de 399 soldados americanos ficaram feridos durante a guerra, acrescentou o Pentágono. Caos Com o caos reinante em Bagdá e em outras cidades iraquianas, após a queda do regime do presidente Saddam Hussein, militares dos EUA disseram que aumentava a preocupação sobre o destino dos sete prisioneiros de guerra. Autoridades do Pentágono pediram eles sejam tratados de acordo com a Convenção de Genebra e tenham acesso a uma equipe da Cruz Vermelha. Segundo um artigo da Terceira Convenção de Genebra, os prisioneiros de guerra não devem ser ?alvo de violência ou de intimidação? e precisam ser protegidos ?de insultos e da curiosidade pública?. Na sexta-feira, o número de britânicos mortos, de acordo com o ministério de Defesa, foram 30, entre eles três militares que morreram durante combates em Basra (sul do Iraque). /// Sociedade interamericana pede apuração da morte de jornalistas em Bagdá A Sociedade Interamericana de Imprensa (SII) lamentou a morte de dois jornalistas na terça-feira passada, em Bagdá, vítimas de ataques millitares americanos e pediu uma investigação imediata. Os cinegrafistas José Couso, do canal espanhol Telecinco, e Taras Protsyuk, da agência de notícias Reuters, morreram depois de uma ação militar americana contra o Hotel Palestina, utilizado como sede de vários correspondentes internacionais. No ataque, também ficaram feridos outros três representantes da mídia internacional. O jornalista Tarek Ayub, da Al Jazeera, também morreu vítima de um obus que caiu na redação da emissora em Bagdá. O presidente da SII, Andrés García, assegurou em um comunicado que tem sérias dúvidas sobre as razões expostas pelos militares americanos para disparar contra o Hotel Palestina, ?que são contraditórias em relação à informação dada pelos próprios correspondentes?. Segundo Rafael Molina, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SII, ?a ação militar americana pode ser considerada desproporcional, já que se sabia que dezenas de jornalistas internacionais se hospedavam no hotel e estabeleceram ali suas redações?. A organização de defesa da imprensa e dos jornalistas Repórteres Sem Fronteiras (RSF) acusou o Exército norte-americano de disparar deliberadamente contra jornalistas. Em uma carta dirigida ao secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, o secretário geral da RSF, Robert Menard, diz que ?nos sentimos consternados pela gravidade dos ataques norte-americanos contra os jornalistas?. Recordando os fatos, a organização expressa que somente na última terça-feira ?morreram três jornalistas em consequência de disparos do Exército norte-americano em Bagdá?. A RSF lembra em sua declaração que ?os lugares usados como alvos são conhecidos por hospedar jornalistas?. Além disso, assinala que ?um filme mostrado pelo canal de televisão francês France 3 e testemunhos de vários jornalistas indicam que o tanque norte-americano passou dois minutos ajustando o canhão e disparou deliberadamente contra o hotel?. /// Powell rejeita liderança da ONU no pós-guerra Washington ?O secretário de Estado americano, Colin Powell, rejeita o apelo russo, francês e alemão para que a ONU(Organização das Nações Unidas) lidere o processo de reconstrução iraquiano no pós-guerra. ?Não estamos preparados para dizer: bem, o conflito está terminando. Agora, vamos embora e entregamos tudo às Nações Unidas?, disse Powell à rede americana NBC. Sexta-feira, os presidentes russo, Vladimir Putin, e francês, Jacques Chirac, além do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, reunidos em São Petersburgo, defenderam que a ONU deve enfrentar os problemas do Iraque após o conflito. Segundo Powell, esse papel corresponde ?àquelas nações que pagaram um preço político e o preço em sangue e dinheiro para criar as circunstâncias para que um novo governo, democrático, seja criado?. ?Acredito que temos um importante papel de liderança a desempenhar?, frisou, acrescentando que, de qualquer maneira, a ONU terá um papel ?vital? na reconstrução do Iraque, mas ?essencialmente no humanitário?. O secretário de Estado comentou ainda que a luta armada não é a única forma de lidar com o terrorismo internacional. ?O presidente (George W. Bush) tem muitas ferramentas à sua disposição: políticas, econômicas, diplomáticas, militares, inteligência, policial e o poder da persuasão. E agora, uma nova ferramenta: o poder do exemplo?, afirmou. ?Esse exemplo será o Iraque?, concluiu. Enquanto as tropas americanas assumiam o controle de Bagdá, os países árabes exigiam sexta-feira que os próprios iraquianos escolham seu governo, opondo-se à vontade de Washington de instalar uma administração provisória. Primeiro chefe de Estado árabe a reagir à derrubada do governo de Saddam Hussein, o presidente egípcio Hosni Mubarak pediu que o povo iraquiano ??se encarregue do governo e da administração o mais rápido possível??. ??Friso a necessidade de agir o mais rápido possível para que os iraquianos tomem em suas mãos o governo e administração de seu país??, declarou Mubarak, citado pela agência oficial Mena. ??O fato do Iraque ser dirigido por seus filhos o quanto antes é o meio mais rápido de garantir a estabilidade para o povo iraquiano??, acrescentou. Ao ser consultado sobre a posição do Egito em relação a um governo transitório deste tipo, o chefe da diplomacia egípcia, Ahmed Maher, respondeu: ??Até agora há um governo iraquiano, não sei onde está, mas existe do ponto de vista legal. Se houver novos acontecimentos, veremos??. Em Riad, o ministro saudita das Relações Exteriores, Saud al Faysal, também estimou que o povo iraquiano devia formar seu próprio governo e exigiu um fim rápido da ocupação anglo-americana do Iraque. ??O governo de Bagdá com o qual manteremos relações será o escolhido pelo povo iraquiano. Não nos anteciparemos aos acontecimentos, aceitaremos tudo o que o povo iraquiano decidir??, disse o príncipe Saud al Faysal. ??Deve-se abrir o caminho ao povo iraquiano para que escolha os meios com os quais quer administrar seus assuntos, e a ocupação deve terminar o mais rápido possível??, acrescentou o ministro saudita. O príncipe Saud destacou que o novo governo iraquiano teria que ser reconhecido pelas Nações Unidas, que a seu ver devem estar implicadas no Iraque. Os moradores de Bagdá demonstraram alívio com a queda do regime de Saddam Hussein, mas disseram que as tropas norte-americanas devem restaurar a ordem rapidamente, ou, do contrário, enfrentarão a ira da população. ?A era Saddam foi um pesadelo. Ele foi um verdadeiro Drácula?, afirmou o comerciante xiita Mehdi al Aibi Mansur, que perdeu um olho na guerra contra o Irã (1980-88). ?Um governante infiel, porém justo, é melhor do que um déspota muçulmano?, disse ele, citando um antigo líder xiita. No entanto, Mansur acha que as tropas norte-americanas, que invadiram ontem o centro de Bagdá, sem enfrentar oposição, deveriam se empenhar mais em conter o caos na cidade, de 5 milhões de habitantes. Desde quarta-feira, quando as tropas americanas ocuparam Bagdá, está havendo saques em repartições públicas abandonadas pelo antigo regime.

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