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EUA discutem forma��o de governo com iraquianos

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Ur ? Os Estados Unidos deram início ontem a conversações com facções da oposição ao regime de Saddam Hussein para criar uma autoridade civil no Iraque pós-guerra, exortando os iraquianos a deixar de lado suas diferenças e garantindo que eles governarão seu próprio país. Os líderes políticos e religiosos, que se encontraram numa Base Aérea dos EUA na antiga cidade mesopotâmica de Ur, no sul do Iraque, concordaram em se encontrar novamente em 10 dias. O enviado especial do presidente George W. Bush à região, Zalmay Khalilzad, disse que os EUA não tinham qualquer intenção de governar o Iraque. ?Queremos que vocês estabeleçam seu próprio sistema democrático baseado nas tradições e valores iraquianos. Exorto-os a aproveitar esta oportunidade para cooperarem entre si.? Jay Garner, o general americano reformado que liderará os esforços de reconstrução do Iraque, abriu a conferência dizendo que ?um Iraque livre e democrático começava hoje?. Mas os episódios que cercaram o encontro ? boicotado por um grande grupo xiita iraquiano baseado no Irã ? demonstraram que o governo do Iraque pós-guerra poderia fazer com que o conflito de 26 dias que derrubou Saddam parecesse fácil. Ahmed Chalabi, o empresário iraquiano favorito do Pentágono para liderar o Iraque, não participou do encontro pessoalmente. O começo da reunião foi atrasado sem explicação e manifestantes deixaram claro que não viam diferença entre ser governados pelos EUA ou por Saddam. Mesmo antes de as conversações terem começado na Base Aérea de Tallil, perto de Nasiriya, no sul do país, dizendo que queriam auto-determinação e gritando: ?Não à América, não a Saddam?. Cerca de 80 iraquianos, representantes de grupos radicais e moderados dos ramos sunita e xiita do Islã, da minoria étnica curdo e de grupos monarquistas, participaram da reunião. Muitos estavam irritados com a escolha do ex-general Garner como administrador interino do Iraque pós-guerra. O Escritório de Reconstrução e Assistência Humanitária de Garner disse que quer entregar o governo do Iraque em meses, mas a autoridade militar dos EUA no país deve permanecer mais tempo. Os conquistadores do Iraque enfrentarão o desafio de instaurar um governo democrático num país étnica e religiosamente dividido, que no século passado viveu sobre a monarquia, uma ditadura militar e o regime baathista de Saddam. /// Sistema ?federal democrático? Os delegados estimaram que o novo sistema de governo iraquiano deverá ser ?um sistema federal democrático??, baseado em uma ?consulta nacional?. Esse princípio é um dos 13 que figuram na declaração adotada pelos delegados, que se reuniram pela primeira vez desde a queda do regime de Saddam Hussein. Entre os outros princípios fundamentais estão a dissolução do partido Baath e a eliminação de sua influência na sociedade iraquiana. Outros princípios aplicáveis imediatamente são a necessidade de que os iraquianos trabalhem com as forças da coalizão para restabelecer a segurança e os serviços básicos, a rejeição da violência e a necessidade de que os iraquianos se organizem tanto local como nacionalmente para reconstruir o país. Os delegados pedem, além disso, que haja um diálogo ?aberto? com todos os grupos políticos nacionais para fazê-los participar do processo. Durante a reunião, a primeira de uma série de mesas redondas dedicadas a nomear uma nova autoridade civil no Iraque, o enviado especial da Casa Branca, Zalmay Khalilzad, expressou que os Estados Unidos não têm a intenção de governar o Iraque. ?Queremos que vocês estabeleçam seu próprio sistema democrático a partir das tradições e valores iraquianos??, declarou Khalilzad. O enviado britânico, Edward Chaplin, afirmou que esta reunião não tinha como objetivo uma tomada de decisões. ?Acredito que haverá uma autoridade equilibrada e eficiente??, declarou Chaplin. O delegado iraquiano Hatem Hate, de volta de seu exílio, afirmou que era ?o momento de retomar as rédeas do país? e enfatizou que os iraquianos devem adotar uma nova Constituição e um novo código legal. Ao término da reunião, os delegados votaram na realização de outra reunião dentro de dez dias. /// Protesto contra norte-americanos Em Nassiriah, próximo dali, milhares de iraquianos realizaram uma manifestação para pedir a saída dos norte-americanos, que não seriam mais necessários depois da queda de Saddam Hussein. ?Não à América. Não a Saddam??, gritavam os iraquianos xiitas. Os xiitas, maioria da população iraquiana, viviam há muito tempo oprimidos pelo governo de Saddam, sunita. Um canal de TV árabe afirmou que o protesto reuniu cerca de 20 mil pessoas. Nas negociações iniciadas com atraso em Ur, era de ceticismo o sentimento dominante entre os grupos unidos por pouco mais que a satisfação pela derrubada de Saddam e o desconforto com a aproximação dos EUA. Mesmo o líder do Congresso Nacional Iraquiano, Ahmad Chalabi, temendo ser visto como uma marionete dos norte-americanos, escolheu não participar do encontro, para o qual enviou um representante. O principal grupo de xiitas exilados resolveu não comparecer. ?Não podemos contribuir com um processo que acontece sob a supervisão de um general norte-americano??, afirmou um porta-voz do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI). Garner deverá chefiar a Agência de Reconstrução e Ajuda Humanitária (ORHA) do Pentágono até que os iraquianos reassumam o controle do país, dentro de 6 a 12 meses. O comando militar dos EUA, sob a chefia do general Tommy Franks, deve continuar no país por mais tempo. Autoridades norte-americanas dizem desejar que os iraquianos formem seu próprio órgão decisório antes da realização de eleições. A criação de um governo estável no Iraque, porém, é uma tarefa espinhosa. Os exilados querem participar do processo, assim como os que viveram durante anos sob o controle de Saddam. Líderes tribais, étnicos e religiosos, em particular os xiitas, possuem seus seguidores. Será uma dura tarefa impedir que o país se fragmente em áreas curdas, xiitas e sunitas.

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