Internacional
Anistia Internacional critica EUA por �se preocuparem mais com o petr�leo
Londres - A Anistia Internacional (AI) acusou as forças dos EUA e da Grã-Bretanha de estarem mais preocupadas em defender os poços de petróleo no Iraque do que a população e sua infra-estrutura sanitária, em estado catastrófico por causa da guerra. ?Parece haver mais preparação para proteger os poços petrolíferos no Iraque do que os hospitais, o sistema de água potável ou os próprios civis?, declarou Irene Khan, porta-voz da Anistia em Londres. Destacou que por essa razão ?as medidas para restabelecer a ordem e a lei no Iraque não foram recebidas com confiança pelo povo iraquiano?. Khan informou em uma entrevista à imprensa que os comandantes das tropas anglo-americanas têm ?muita responsabilidade? sobre o que acontece, já que são as ?forças de ocupação?. ?Proteger a população civil deve ser a prioridade de qualquer poder que entre em um país e justifique sua intervenção alegando que pretende libertar seu povo ou proteger seus direitos?, acrescentou, em referência ao discurso oficial anglo-americano. Em relação ao futuro do Iraque, a Anistia Internacional condenou a participação de grupos como o Partido Democrático do Curdistão (PDK) e da União Patriótica do Curdistão (UPK) na reunião celebrada hoje em Nasiriya, já que ambos os grupos ?vêm violando os direitos humanos da população desde a guerra civil na década de 90?. ?Estes dois grupos foram responsáveis pela morte de milhares de pessoas inocentes e pela aplicação de torturas à população?, acrescentou Khan. A representante da AI destacou que a ONU ?deve assumir um papel central para investigar os abusos e violações aos direitos humanos tanto antes como depois do conflito?. Salvar tesouro Numa tentativa de salvar uma das coleções de antigüiddes mais valiosas do mundo, a Unesco e o Museu Britânico anunciaram nesta terça-feira que enviarão equipes de especialistas ao Iraque para restaurar os museus e peças antigas saqueados em razão da invasão do país por tropas anglo-americanas. O saque generalizado em Bagdá e outras cidades iraquianas nos últimos dias propiciou um duro golpe contra as coleções das culturas babilônica, suméria e assíria que assinalam os 7.000 anos de civilização na antiga Mesopotâmia. Grande parte da revolta pela destruição tem como alvo os soldados americanos, que permaneceram imóveis e apenas a observaram enquanto a depredação ocorria. Só sexta-feira as autoridades americanas admitiram ter ficado surpreendidas pelos atos de vandalismo e disseram que as tropas estavam muito ocupadas combatendo para poder impedi-los. ?Não creio que alguém tenha imaginado que as riquezas do Iraque pudessem ser saqueadas pelo próprio povo iraquiano?, disse o general Vincent Brooks na sede do Comando Central americano em Doha, Catar.