Internacional
Diplomata iraquiano no Brasil�mant�m fidelidade a Saddam
Brasília ? A recusa do encarregado dos assuntos diplomáticos iraquianos no Brasil de tirar a imagem de Saddam Hussein de sua sala de estar é apenas parte de sua existência surreal nos últimos dias. Desde seu último contato com Bagdá há duas semanas, quando lhe disseram ?tente ser paciente, tente ter coragem?, a vida de Jarallah Alobaidy, 54, tem sido uma mistura de confusão e descrença, enquanto ele coordena a missão iraquiana sem nada de real para fazer. Alobaidy, que está chateado em voltar para casa, temendo choques entre os numerosos grupos religiosos do Iraque, diz que Saddam ?acabou? e está determinado a manter a bandeira hasteada em sua missão mesmo se não for pago por seis meses. Mas o diplomata, que serviu ao governo de Saddam desde 1976 em uma carreira que o levou a Genebra (Suíça), Arábia Saudita, Jordânia e Brasil, não vai tirar o retrato de Saddam da parede de sua mansão em Brasília. ?Seu futuro (o de Saddam) ainda é vago, ninguém sabe se ele está vivo ou morto, se está dentro ou fora (do Iraque), disse Alobaidy à agência Reuters. ?Até agora não sei quem é o presidente do Iraque, por que eu deveria mudar [o retrato]? Talvez seja a turbulência no mundo seguro de Alobaidy como diplomata do governo Saddam que o faça apegar-se ao retrato. Mesmo que as imagens confusas dos acontecimentos em Bagdá apenas apareçam na TV de Alobaidy, parte do caos da capital iraquiana atingiu sua missão também. Isso aconteceu quando dois membros da equipe iraquiana tentaram roubar dinheiro da missão, no que Alobaidy disse ter sido similar aos saques em Bagdá. ?Eles pensaram que esse dinheiro pertence a Saddam Hussein?, disse ele sobre a tentativa de roubo que levou a uma briga. Alobaidy, um muçulmano sunita como a maioria das autoridades do governo Saddam, pode ficar no Brasil com os oito membros de sua equipe, pois Brasília não pediu a ele que deixe o país. Mas por medo ou respeito, Alobaidy é cuidadoso ao falar de Saddam. ?Ele é um ditador? Não posso responder essa pergunta, desculpe-me?, disse ele, acrescentando que não está ?nem triste nem feliz? com sua queda. Ato ditatorial Recém aprovado como embaixador do Brasil em Cuba, com 52 votos a favor e 7 contra, o ex-deputado federal pelo PT-MG Tilden Santiago, 62, classificou como ato ditatorial a iniciativa dos EUA de promoverem uma ação militar contra o Iraque, com o objetivo de derrubar Saddam Hussein do poder. A afirmação foi feita sexta-feira à Folha Online, em resposta aos problemas diplomáticos que o regime do ditador Fidel Castro comanda em Cuba, ampliados recentemente pelas execuções de três dissidentes do regime cubano. ?Você quer ato mais ditatorial do que invadir o Iraque? Acho que (a ditadura cubana) complica em alguns momentos, mas isso pode ser encaminhado diplomaticamente?, afirmou. Para ele, o maior problema nas relações entre EUA e Cuba é ?a pressão que exercem os cubanos de Miami?, já que ?hoje existem setores nos EUA interessados na abertura comercial de Cuba?. Santiago evitou se posicionar mais claramente em relação à execução por ?atos terroristas?, no dia 11 de abril, de três sequestradores de uma lancha no início do mês ?Lorenzo Enrique Copeyo Castillo, Bárbaro Leodán Sevilla García e Jorge Luis Martínez Isaac ?, o que não acontecia desde 2000. Ele leu uma declaração sobre o episódio, em que diz: ?Vejo os fatos como político de direitos humanos na sua totalidade, sem unilateralismo, sem seletividade no tratamento das situações e sem politização dirigida, manipulada. Vejo como político e como embaixador, em sintonia com o chanceler Celso Amorim. Como democrata, humanista e socialista, torço para que esta crise encontre uma solução favorável. O certo é que estou diante de algo sucedido em família e é como tal que me comporto e me situo face aos acontecimentos em Cuba?.