Internacional
Junta Militar assume Legislativo no Egito
Cairo, Egito Numa ação que cria novas dúvidas sobre a conturbada transição democrática no país, a Junta Militar do Egito assumiu ontem o Poder Legislativo, depois que a Suprema Corte decretou a dissolução do Parlamento. A decisão, às vésperas do 2º turno da eleição presidencial, que começa no sábado, agrava o clima de confronto e polariza ainda mais o país entre islamitas e as forças do antigo regime. Revoltados com o que consideraram um golpe para perpetuar a ditadura militar, manifestantes entraram em choque com forças de segurança em frente à corte. À noite, centenas de pessoas se reuniram na praça Tahrir, epicentro dos protestos que levaram à queda de Hosni Mubarak, produzindo uma cacofonia de angústia e frustração. Foi mais um golpe dos militares, dizia o contador Samy Hamdi, 28, em um dos muitos grupos de discussão formados na praça. SUPREMO O Supremo Tribunal Constitucional (corte máxima do país) justificou a dissolução do Parlamento afirmando que as eleições legislativas do início do ano, em que partidos islamitas conquistaram 70% das cadeiras, foram inconstitucionais. A alegação é que houve violação da regra eleitoral de que um terço das cadeiras deveria ter sido ocupado por candidatos independentes. Na prática, boa parte deles era filiada à coligação da Irmandade Muçulmana. ?