Internacional
Obama fará história em Hiroshima
São Paulo, SP O presidente Barack Obama desembarca hoje em Hiroshima com sua defesa por um mundo sem armas nucleares. Fará algo que os antecessores não fizeram: será o primeiro presidente americano no cargo a visitar a cidade desde que ela foi arrasada por uma bomba atômica lançada pelos EUA há quase 71 anos. Estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham morrido com os dois bombardeios nucleares, em Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e em Nagasaki, três dias depois. A decisão de ir à cidade se soma a outros gestos conciliatórios do americano, como a reaproximação com Cuba e o acordo nuclear com o Irã. Como nesses casos, a visita a Hiroshima cria expectativas sobre suas consequências. Os vizinhos na Coreia do Sul e na China relembraram, nos últimos dias, as agressões japonesas no século passado e manifestaram desconforto com a possibilidade de o Japão ser posto como vítima. Minha intenção não é revisitar o passado, disse Obama à rede japonesa NHK. Mas afirmar que pessoas inocentes morrem numa guerra, de todos os lados e devemos continuar empenhados por um mundo sem armas nucleares. SEM DESCULPAS O americano não deve se desculpar pela opção de ter usado armas nucleares no Japão, já disse a Casa Branca. Apesar de ter caído, é alta a aprovação dos americanos ao bombardeio em 1945, visto como forma de encerrar a guerra e salvar seus soldados. Segundo pesquisa de 2015 do Centro de Pesquisa Pew, 56% o consideram justificável. Carol Gluck, professora de história japonesa na Universidade Colúmbia (EUA), avalia que Obama vai se distanciar de duas versões que não se cruzam: a americana (que sustenta que as bombas encerraram a guerra) e a japonesa (segundo a qual elas deram ao Japão do pós-guerra uma missão de paz). Para não causar irritações políticas e frente a seu desejo de ver o mundo livre de armas nucleares, o americano apresentará uma terceira narrativa, a de um futuro livre de ataques nucleares, diz Gluck.