Internacional
Carta confirma desist�ncia de Menem da corrida presidencial
Buenos Aires ? O ex-presidente Carlos Menem (1989-99), candidato à sucessão de Eduardo Duhalde à presidência da Argentina pela Aliança Frente pela Lealdade, desistiu de sua candidatura. A renúncia foi anunciada por meio de carta divulgada pela imprensa local. Confirmada a renúncia, o governista Néstor Kirchner deve assumir a Presidência do país no próximo dia 25. O segundo turno das eleições estava agendado para domingo, dia 18, e deverá ser cancelado pela Justiça Eleitoral. A legislação eleitoral argentina prevê o cancelamento do segundo turno com a desistência de um dos candidatos e ratifica a vitória daquele que continuou no pleito. Governador de Santa Cruz (extremo sul), Néstor Kirchner liderava as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno, com cerca de 30 a 40 pontos percentuais à frente de Menem. Rejeição Pouco antes da divulgação da carta, Diego Guelar, ex-embaixador da Argentina nos EUA e assessor de Menem, confirmou a renúncia para a agência Reuters. ?Sim [Menem renunciou]. Sou altamente crítico com relação à renúncia?, disse. Vencedor do primeiro turno ?com 24,45% dos votos contra 22,24% de Kirchner - , Menem decidiu abandonar a corrida eleitoral devido à forte rejeição e à pressão de governadores menemistas, que temiam que o fracasso nas urnas refletisse nas próximas eleições provinciais. Entre os que teriam se pronunciado a favor do fim da candidatura estão seu próprio vice, o governador de Salta (norte) Juan Carlos Romero, e os governadores Rubén Marín (La Pampa) e Angel Mazza (La Rioja). Segundo o jornal ?Clarin?, Menem cancelou encontros e mandou retirar cartazes de propaganda eleitoral das ruas. O ?La Nación? afirma que Menem passou o dia reunido com seus assessores ?em um profundo silêncio?. Além disso, ele suspendeu suas atividades previstas para ontem,e seus poucos colaboradores de campanha que deram entrevistas foram evasivos e se esquivaram de responder sobre o assunto. Opiniões ?Agora, Menem não terá mais futuro político na Argentina?, declarou Roberto Bacman, do Ceop (Centro de Estudos e Opinião Pública). Já o analista político Jorge Giacobbi encarou a renúncia de Menem como uma saída ?sábia? por parte do ex-presidente. ?Seria uma confrontação sem sentido já que todos sabiam qual seria o resultado das urnas.? ?O ex-presidente passaria a ter um papel apenas de referência entre alguns setores da política do país?, afirmou o sociólogo Torcuato di Tella. ?Ele era um mito, que agora deve desaparecer da política nacional.?