Internacional
Saída do Reino Unido será lenta
São Paulo, SP O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse ontem que ainda não pretende iniciar as conversas para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) neste momento. O governo britânico não invocará o artigo 50 [que fornece base jurídica para a saída da UE] neste momento. Esta é nossa decisão soberana e será tomada pelo Reino Unido, e pelo Reino Unido somente, disse em seu primeiro pronunciamento ao Parlamento após o plebiscito de quinta (23). O premiê disse que o resultado da votação, que deu a vitória para o Brexit (junção de Britain e exit, ou seja, a saída britânica da UE), não é o desfecho que penso ser melhor para o Reino Unido, mas que o resultado precisa ser respeitado e implementado da melhor forma possível. Cameron também disse que não haverá mudanças imediatas para cidadãos da UE que hoje vivem no Reino Unido. Em sua fala no Parlamento, o primeiro-ministro sugeriu ainda que o Reino Unido faça negociações para permanecer no mercado único europeu e anunciou a criação de uma nova unidade com servidores públicos que ajudará a preparar as negociações para a saída do Reino Unido do bloco econômico. Também ontem, a chanceler alemã Angela Merkel afirmou em entrevista coletiva que não pretende pressionar o Reino Unido a acelerar ou desacelerar sua saída da UE, mas deixou claro que discussões informais sobre o Brexit não devem começar até que Londres peça a saída do bloco. Eu não tenho nem um freio nem um acelerador. Em vez disso, tenho o trabalho de refletir, quando essa mensagem [sobre a saída do Reino Unido] chegar, sobre como implementá-la exatamente, disse. BLOQUEIO Cameron destacou ainda que não deve haver uma tentativa do Parlamento britânico de bloquear a saída do Reino Unido da UE. A primeira-ministra da Escócia, onde a opção de permanência na UE venceu com 62% dos votos, Nicola Sturgeon, chegou a dizer no domingo (26) que deve levar em consideração aconselhar os parlamentares do país a usarem seu poder para dificultar a saída do Reino Unido da UE. Segundo Cameron, a saída da UE não será tranquila para a economia do Reino Unido. Ele acrescentou, no entanto, que as instituições financeiras britânicas têm planos robustos e podem resistir à incerteza do Brexit.