Internacional
Senado sela novo acordo de paz na Colômbia

Paris, França A Colômbia deu na terça-feira (29) o primeiro passo para referendar o acordo de paz assinado na semana passada pelo governo e as Forças Armadas Revolucionárias (Farc), com a aprovação no Senado do pacto que pretende acabar com mais de meio século de conflito armado. O texto, renegociado para incluir propostas da oposição depois que o acordo original foi rejeitado em um plebiscito em 2 de outubro, também deve ser validado pela Câmara de Representantes, que ontem colocaria o tema em votação. Houve 75 votos pelo sim e nenhum contra. Lida alguns minutos antes pelo senador do Partido Liberal Horacio Serpa, a proposta afirma que o Senado adota a decisão política de referendar o acordo final para a conclusão do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura, assinado pelo governo nacional e as Farc no dia 24 de novembro. Na sessão plenária do Senado, que aprovou o acordo após 13 horas de discussões, o resultado da votação foi recebido com aplausos pelos presentes, todos partidários ao texto. Viva a paz, viva a Colômbia!, afirmou o presidente do Senado, Mauricio Lizcano, ao encerrar a sessão. Os congressistas do partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, decidiram alguns minutos antes abandonar o plenário com a afirmação de que o Congresso não pode suplantar a decisão tomada nas urnas pelos colombianos. Surgidas de um levante camponês em 1964 e com 5.765 combatentes atualmente, as Farc são a guerrilha mais antiga da América Latina. Esta é a quarta vez que se tenta um processo de paz com o governo colombiano, após os fracassos em diálogos com os presidentes Belisario Betancur (1982-1986), César Gaviria (1990-1994) e Andrés Pastrana (1998-2002).