Internacional
Senado quer ouvir Puigdemont
Madri, Espanha O Senado da Espanha convidou ontem o presidente regional da Catalunha, o independentista Carles Puigdemont, a debater com o governo amanhã ou na sexta-feira as medidas propostas pelo Executivo central para restaurar a legalidade nessa região autônoma. O gabinete do conservador Mariano Rajoy propôs no último sábado (21) o afastamento do Puigdemont e toda sua equipe, a limitação das funções do parlamento regional e a convocação de eleições antecipadas diante da intenção independentista das autoridades dessa região autônoma, medidas que o Senado deve ratificar na sexta-feira (27). Essa proposta do governo começou a tramitar ontem no Senado e Puigdemont poderá apresentar alegações por escrito ou pessoalmente. Em resposta ao convite, o líder independentista disse que tem vontade de comparecer ao Senado espanhol para explicar sua rejeição à proposta de Rajoy de assumir suas competências, mas também tem dúvida sobre se o partido do governante, o PP, realmente quer isso, segundo explicou à imprensa o conselheiro da presidência catalã e porta-voz, Jordi Turull. O Senado criou uma comissão específica para tratar do assunto, formada por 27 parlamentares, e designou um grupo de trabalho encarregado de elaborar e apresentar um relatório. Na tramitação, o Senado convidou Puigdemont ou quem ele designar a apresentar alegações ao decreto de Rajoy, o que poderia acontecer amanhã à tarde, e inclusive a debater com um membro do governo espanhol no plenário de sexta-feira. No entanto, a Câmara catalã se reúne em plenário na quinta-feira, com a hipótese de que prossiga na sexta, mas sem horários nem uma ordem do dia. O vice-presidente do Senado, Pedro Sanz, disse ontem que, se Puigdemont decidir comparecer, terá a oportunidade de debater com o governo durante a tramitação e isso significa que aceitará o resultado da votação dessas medidas. Teria um valor além, porque de alguma maneira o presidente do governo catalão se submeteria ao sistema, que é participar do jogo parlamentar, argumentou Sanz.