Internacional
Estado de saúde do papa é muito grave
Folhapress De São Paulo As condições gerais e cardiorrespiratórias do papa João Paulo II se agravaram hoje e seus parâmetros biológicos estavam notadamente comprometidos, segundo comunicado lido às 19h (14h no horário de Brasília) pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls. O pontífice apresentava insuficiência respiratória e renal e pressão arterial baixa. Segundo o Vaticano, João Paulo II não teria perdido a consciência. O quadro clínico de João Paulo II já havia se deteriorado na madrugada de ontem, quando sofreu um colapso cardíaco e apresentava septicemia (infecção generalizada). Na quinta, teve diagnosticada infecção urinária. Na quarta, passou a ser alimentado por meio de um tubo. Os últimos anos do papado do polonês Karol Wojtyla foram marcados pela luta contra doenças, agravadas pelo Mal de Parkinson. Mas o passado de esportista jogou a seu favor no longo combate às enfermidades. Na juventude, em Cracóvia, fazia caminhadas, descia rios de caiaque e subia montanhas de bicicleta. Também jogou futebol e era considerado um bom goleiro. Nem mesmo um acidente sofrido na década de 40, que o deixou com um ombro mais alto do que o outro, o afastou do mundo dos esportes. Já como chefe da Igreja Católica, cultivou a imagem de atleta, uma excentricidade para o mundo eclesiástico. Adorava esquiar. Rezo todos os dias para evitar a tentação, disse à agência France Presse em 1979, enquanto olhava um par de esquis que ganhou de um artesão. No ano seguinte, esquiou como papa pela primeira vez, acompanhado do então presidente da Itália, Sandro Pertini. Repetiu as escapadas para a montanha por muitos anos, até quando a saúde permitiu. Os passeios eram mantidos em segredo, até um esquiador cruzar o papa em uma pista. Caminhava nos montes, onde adorava se encontrar com velhos montanhistas. Nunca imaginei que aquele homem sentado em uma pedra, comendo sardinhas em lata era o papa!, comentou o excursionista que o encontrou em uma montanha. Outra paixão do pontífice era a natação. Ganhou de um grupo de católicos ingleses uma piscina, construída nos jardins de sua casa de verão, em Castelgandolfo, perto de Roma. O esporte foi recomendado pelos médicos como atenuador de problemas na coluna e nos ombros. João Paulo II gostava tanto de nadar que passou as vésperas dos conclaves de 1978, que o elegeram papa, na praia dos cardeais, ao norte de Roma. A carreira de esportista teve de ser encerrada em 1995, após cirurgia de implante de prótese no fêmur por causa de uma queda, em 1994. Derrocada Mas o primeiro grande problema e ponto inicial da deterioração da saúde de Wojtyla aconteceu em 1981, menos de três anos após ter sido eleito papa. No dia 13 de maio, às vésperas de completar 61 anos, o pontífice foi alvejado em plena praça São Pedro, no Vaticano, pelo turco Mehmed Ali Agca. Os tiros o atingiram no abdômen, na mão esquerda e no braço direito. Passou 20 dias internado e chegou a receber a unção dos enfermos - a chamada extrema-unção. Sofreu diversas cirurgias e nunca se recuperou por completo. O papa chegou a ter infecção provocada por transfusão de sangue contaminado. Contraiu um citomegalovírus, ainda em 1981 - deu-se uma nova internação. Em 1992, aos 72 anos, teve um tumor benigno - a vesícula biliar e 15 centímetros do intestino foram extraídos. No ano seguinte, deslocou o ombro e foi novamente operado, após cair de uma escada. Desenvolveu artrite severa no joelho direito e nos quadris após quebrar o fêmur, em 1994. Em 1996, teve o apêndice retirado. Rumores davam conta de que o papa tivesse câncer no intestino, o que foi negado pelo Vaticano. Os sintomas do Mal de Parkinson, doença degenerativa que reduziram suas atividades, surgiram naquele mesmo ano. Tremores e paralisia nos músculos da face eram sinais da enfermidade. A doença se agravou neste ano. O papa começou a ter dificuldade de respirar e de se alimentar. Debilitado, contraiu gripe e foi internado em fevereiro. Foi submetido a traqueostomia - incisão de um tubo na traquéia para que o ar entrasse diretamente nos pulmões. A última intervenção no papa foi a inserção de uma sonda no nariz, nesta semana, pela qual passou a ser alimentado.