Internacional
Arcebispos destacam ações do papa
Agência Folha O arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, 70, afirmou ontem que a forma aberta como o Vaticano está tratando a agonia do papa João Paulo II é exemplo ao mundo. Como bom pastor que dá a sua vida às suas ovelhas, ele está dando um grande exemplo final sobre o sentido do sofrimento, da doença e da morte??, declarou dom Cláudio, em missa pelo papa que reuniu cerca de mil pessoas na catedral da Sé. O papa não quis se esconder para dizer a todos que o sofrimento e a morte podem ter a força da salvação, essa é a verdadeira mensagem da Páscoa. Ele está se preparando para ressuscitar dos mortos e participar da glória da ressurreição de Jesus??, acrescentou o arcebispo. Um dos cardeais brasileiros que fazem parte do colégio do Vaticano que escolherá o futuro pontífice, dom Cláudio disse que, nas vezes em que conversou com o papa, ele sempre perguntava pelo Brasil, pela situação dos pobres, dos trabalhadores, da reforma agrária??. Em Salvador, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, 71, que trabalhou durante sete anos com o pontífice no Vaticano, disse que João Paulo II veio ao mundo marcado para ser papa??. Demonstrando tristeza pelas condições de saúde do líder da Igreja Católica, o arcebispo primaz do Brasil sempre se referiu ao papa no passado, durante entrevista na Cúria Metropolitana. O papa foi um homem que veio de longe para mudar a igreja, lutou contra o desrespeito à dignidade humana, contra a falta de liberdade religiosa e pelo fim do comunismo??, disse dom Geraldo Majella, que, ao lado de dom Cláudio Hummes, é considerado por especialistas no Vaticano como um dos cardeais que têm chances de ser o sucessor de João Paulo II. O cardeal pediu que todos os brasileiros rezem pela recuperação do papa. Ele é uma pessoa tão popular que o seu sofrimento é como se fosse o de um parente nosso??, comparou dom Geraldo. Dom Geraldo Majella disse também que o papa prefere morrer ao lado dos amigos e o comparou a são Francisco. O santo quis morrer em meio aos seus frades; assim João Paulo II nesta hora se sente desejoso de ficar em casa como um ente querido. Ele quer morrer em casa, não numa UTI??, disse. Conclave Antecipando-se à convocação, 117 cardeais com direito a voto no conclave (assembléia mundial de cardeais) que irá eleger um novo papa já se dirigiram a Roma. A convocação oficial, no entanto, só pode ser feita após a morte do sumo pontífice. Segundo as regras fixadas por Paulo VI, o número de eleitores deve ser de 120. Os prelados estão divididos assim: 59 europeus, 14 americanos, 22 latino-americanos, 12 africanos, 11 asiáticos e dois da Oceania. Segundo o código eclesiástico, o direito de eleger o novo papa toca unicamente aos cardeais da Igreja Católica, com exceção dos que, antes do dia da morte do sumo pontífice ou do dia em que a Santa Sé fique vaga, tenham completado 80 anos de idade. O conclave começa 15 dias depois que a liderança da igreja ficar vaga, embora o colégio de cardeais possa estabelecer outra data, que não deve ultrapassar mais de 20 dias. Entre os candidatos possíveis, os mais cotados são Giovanni Battista Re, 71, atual prefeito da Congregação para os Bispos e que durante anos foi vice-secretário de Estado do Vaticano; Dionigi Tettamanzi (Milão), 70; Angelo Scola (Veneza), 63; Tarciso Bertone (Gênova); 70; e Angelo Sodano, 77, secretário de Estado e número dois da Santa Sé há 14 anos. Há ainda o candidato secreto, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, 77, também chamado guardião do dogma, que preside o colégio cardinalício. Outros possíveis candidatos são o colombiano Darío Castrillón Hoyos, o hondurenho Oscar Rodriguez Madariaga, o brasileiro Claudio Hummes e o argentino Jorge Mario Bergoglio.