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Papa morreu às 21h37, horário do Vaticano

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O papa João Paulo II morreu às 21h37 (horário do Vaticano), conforme informou a Santa Sé. O pontífice vinha lutando contra problemas respiratórios desde o dia 1 de fevereiro, quando foi internado no hospital Gemelli, em Roma, com uma gripe muito forte. A última internação só foi confirmada no fim daquela noite e, através de uma nota oficial, soube-se que o Santo Padre estaria com uma forte infecção nas vias respiratórias. No domingo, durante o Angelus, João Paulo II estava rouco e mal conseguia falar. A baixa temperatura, excepcional em Roma naquela semana, coincidiu com uma epidemia de gripe que se espalhou pela Itália. Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 1% da população italiana esteve adoentada naquele período. Em seguida, o papa cancelou também a audiência com o presidente do parlamento europeu, Josep Borrell. Até então, a última vez que o pontífice havia perdido uma audiência por problemas de saúde fora em setembro de 2003, por complicações no intestino. Com a notícia da internação, muitas pessoas foram ao hospital, o mesmo para onde foi levado pelo menos outras seis vezes durante o pontificado de 26 anos, incluindo quando sofreu um atentado a tiros, em 1981. Católicos em todo o mundo participaram de missas especiais para rezar por sua recuperação. Na Polônia, pátria do papa, centenas de igrejas de Gdansk, no Norte, até a Cracóvia, no Sul, foram inundadas de fiéis. As missas foram especialmente emocionadas em Wadowice, o povoado natal de Karol Wojtyla, onde os habitantes acenderam velas por sua pronta recuperação. O papa não pôde ainda presidir a tradicional cerimônia de quarta-feira de Cinzas na Basílica de São Pedro e foi substituído pelo cardeal James Francis Stafford, por continuar internado. No decorrer da semana, as notícias divulgadas exclusivamente pelo Vaticano tranqüilizavam os católicos. Apesar da saúde precária e do frio intenso registrado na capital italiana, João Paulo II deu a bênção do Angelus, no domingo, dia 6, da janela do 10ª andar do hospital. Na ocasião, o papa se dirigiu aos fiéis, reunidos no estacionamento e na rampa de acesso ao hospital. Desde a internação, foi a primeira aparição pública do pontífice. Dirijo-me hoje a vocês a partir da Policlínica Agostino Gemelli, onde estou e onde me assistem com afetuosa atenção tanto os médicos, como as enfermeiras e o pessoal da limpeza, aos quais agradeço de todo o coração, dizia o texto, divulgado pelo Vaticano. Agradeço a todos e a cada um deles e invoco constantemente o Senhor por vossos pedidos assim como pelas necessidades da Igreja e as grandes causas do mundo. Esta não tinha sido a primeira vez que o papa deu a bênção da janela do hospital católico romano. Em 17 de maio de 1981, poucos dias depois do atentado praticado por Ali Agca, que o deixou gravemente ferido, o papa abençoou os fiéis do leito, causando surpresa em todo o mundo, que viu este tipo de cena pela primeira vez na história. A última foi em 1996, após uma operação de apêndice. Apesar da melhora, a internação foi prorrogada, segundo o porta-voz Joaquín Navarro Valls, por motivos óbvios. Chegou a Quarta-feira de Cinzas, e João Paulo II, pela primeira vez em 26 anos de papado, não dirigiu a missa que marca o início da Quaresma - período de 40 dias de resguardo e jejum para católicos, antes da Páscoa, por se encontar internado no hospital. Era dia 9 de fevereiro. Ainda no hospital, o sumo pontífice recebeu as cinzas, na missa celebrada por seu secretário, o arcebispo Stanislaw Dziwisz. Em uma oração especial, Dziwisz pediu pela saúde de João Paulo II. No dia 10, o papa recebeu alta depois de passar 10 dias internado. Uma multidão se posicionou diante do hospital para ver o papa e saudá-lo. Antes de deixar o Gemelli, no fim da tarde, o líder da Igreja Católica rezou uma missa do quarto e visitou o setor de psiquiatria do hospital. Também entregou uma carta de agradecimento a todos que cuidaram dele nos dez dias. Cinco dias depois, já mais disposto, o papa enviou mensagem à Igreja de Portugal, na qual afirmava que as orações da irmã Lúcia sempre o ajudaram a superar as provações mais difíceis. A freira, que morrera no domingo, aos 97 anos, era a última das três pastoras que viram a aparição de Nossa Senhora de Fátima em 1917. Também neste dia, o cardeal do Rio, Dom Eusébio Scheid, anunciou a nomeação, pelo papa João Paulo II, do monsenhor Edson de Castro Homem como bispo auxiliar para a Arquidiocese do Rio. Duas semanas depois de receber alta, João Paulo II voltou a ser internado no dia 24, no mesmo hospital Gemelli, onde foi submetido a uma traqueostomia para facilitar a passagem de ar e evitar novas crises respiratórias. Segundo o Vaticano, na tarde do dia 23, o sacerdote teve uma recaída, com febre, ainda decorrente da forte gripe que levou à primeira internação, durante 10 dias. A intervenção cirúrgica foi rápida e bem-sucedida, durou 30 minutos e o pontífice foi levado para o quarto, onde passou a noite. Até esta data, o papa já havia sido internado nove vezes no hospital Gemelli, onde permaneceu no total 159 dias, e fora submetido a quatro cirurgias. Ao redor do mundo, mais uma vez, católicos pararam para rezar por sua saúde. No dia seguinte, o papa estava totalmente consciente e respirando sem a ajuda de aparelhos. A equipe médica recomendou que o pontífice ficasse sem falar por vários dias. Ainda que João Paulo II tenha respondido bem à traqueostomia, os médicos advertiam que sua saúde inspirava muitos cuidados, pelo histórico de doenças crônicas e pela idade avançada: 84 anos. O papa fez uma aparição de surpresa na janela do hospital no dia 27, domingo, e tranqüilizou católicos. No Vaticano, um assessor presidiu pela primeira vez sua bênção dominical. O papa apareceu por dois minutos com os vidros das janelas fechados e fez o sinal da cruz na direção de um pequeno grupo de pessoas na frente do prédio. A saúde de João Paulo II estava melhor e ele iniciou um tratamento de reabilitação para recuperar a voz. Segundo o Vaticano, o pontífice se alimentava regularmente e bem, passava algumas horas sentado e não apresentava complicações respiratórias. Mesmo internado em Roma, no dia 4, João Paulo II expressou felicidade ao saber que uma jornalista italiana, feita refém no Iraque, estava voltando para a casa, já que no dia 13 do mês anterior, havia feito um apelo por sua libertação e de todos os seqüestrados no Iraque. O papa reapareceu, no dia 6, na janela do 10º andar do hospital Gemelli, tranqüilizando os católicos que o aguardavam para a oração do Angelus. Em silêncio, mas com a aparência melhor do que na semana passada, o pontífice acenou para multidão de fiéis reunidos na pequena praça em torno do prédio. Esta foi a terceira vez que o papa, celebrava a bênção do hospital, por causa de seus problemas de saúde. Mais uma vez, no dia 9, o papa apareceu de surpresa na janela do seu quarto no hospital para abençoar fiéis, que entoavam cânticos durante várias horas. Em 13 de março, o papa João Paulo deixa o hospital Gemelli, depois de 18 dias. Antes de seguir para o Vaticano, fez seu primeiro pronunciamento público desde a cirurgia na garganta à qual foi submetido no dia 24 de fevereiro. Com a voz fraca e rouca, dirigiu-se aos fiéis em vigília na porta do hospital. Pela primeira vez em 26 anos de pontificado, João Paulo II, ainda fragilizado, não presidiu a Missa da Última Ceia na Quinta-Feira Santa, mas a seguiu espiritualmente, conforme mensagem lida na cerimônia. Com a mente e o coração, estou do lado de vocês, reunido diante do túmulo do apóstolo Pedro para a Missa in Cena Domini, primeiro ato do Tríduo Pascal, ponto mais importante do Ano Litúrgico. Eu os saúdo com grande afeto, escreveu o papa no texto lido pelo cardeal colombiano Alfonso Trujillo, que celebrou a missa em nome de João Paulo II. O papa, também não pôde oficiar, no último dia 26, a Vigília Pascal, mas acompanhou o ritual pela TV e enviou uma mensagem, lida pelo cardeal Joseph Ratzinger. Esta noite celebramos o mistério glorioso da ressurreição de Cristo. Saúdo com afeto a todos que estão ao redor do altar do Senhor, especialmente os que serão batizados esta noite, escreveu João Paulo II. As comemorações pelo Domingo da Ressurreição deram lugar no último dia 27, à preocupação com a saúde do papa, depois que o pontífice apareceu na janela de seu quarto, na praça de São Pedro, para abençoar os fiéis. O Santo Padre estava visivelmente cansado, sofrendo e impossibilitado de falar. Apesar dos aplausos e cantos dos 70 mil presentes, as câmeras da TV pública mostraram os fiéis enxugando as lágrimas. João Paulo II, que em maio completaria 85 anos, fez um esforço sobrehumano para falar na hora da bênção Urbi et Orbi- expressão em latim para à cidade e ao mundo -, mas não conseguiu. Como sua capacidade de deglutir piorou, foi inserida em seu nariz, no dia 30, uma sonda de alimentação, normalmente utilizada de forma temporária. Alguns especialistas já não acreditavam na recuperação do papa, já que sofre também de Mal de Parkinsons em estágio avançado. Na quinta-feira, foi detectada uma infeção urinária, que evoluiu para uma infecção generalizada. O pontífice apresentou febre alta e recebeu antibiótico. Na madrugada desta sexta-feira, o quadro de João Paulo II se agravou, e ele sofreu um colapso cardiocirculatório. João de Deus morreu às 21h37 locais, mas o Vaticano só anunciou a morte do papa às 21h52 locais. (JB Online)

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