Internacional
Fiéis passam a noite nas ruas do Vaticano
FOLHA ONLINE Roma Milhares de peregrinos passaram a noite de quinta-feira para a sexta-feira no entorno da praça São Pedro, aguardando a cerimônia fúnebre final do papa João Paulo II marcada para hoje às 10h (5h de Brasília). Eles transformaram o Vaticano em um imenso albergue a céu aberto, deitados em cobertores, sacos de dormir e até caixas de papelão. A polícia italiana multiplicou a segurança, cercou a área, e instalou cerca de 50 banheiros químicos extras na entrada da praça, localizada na via Della Mura Aureliane. Nem a polícia, nem a proteção civil (equivalente a guarda Nacional) se arriscaram a estimar a quantidade de fiéis no local. Encostado em uma parede, sobre o chão frio, o húngaro Bence Gunda, 26, estudante do 6º ano de medicina em Budapeste, disse que não teme o frio e o cansaço. Protestante, ele passou cinco horas na fila para ver o papa. Não importa que eu seja protestante. O papa João Paulo II está acima mesmo das religiões e das linhas do cristianismo. A família do funcionário do Ministério da Defesa italiana Arduino Scirman, 47, estava deitada em colchões, cantando canções populares italianas ao som do violão tocado por um de seus seis filhos, Andrea. Católicos, moradores em Ancio, a cerca de 30 quilômetros de Roma, eles se prepararam para a saga até o enterro de João Paulo II com lanches, latas de atum, maionese, e bolachas. Além da música e das orações feitas em voz alta por grupos de poloneses, o esporte oficial do albergue do Vaticano é especular sobre quem será o próximo papa. Eu gostaria que fosse um sul-americano, disse Fabrizio Mazei, 26, com a aquiescência de sua namorada, Ilania Sangermano, 20. Fabrizio é funcionário de uma empresa de telefonia italiana. Já Francezca Pozzi, 21, e Serena Console, 22, vindas de Modena (330 quilômetros ao norte de Roma) dizem sonhar com um papa negro. Um negro seria o único que poderia unir a igreja tanto quanto João Paulo II uniu, afirmou Serena.