Internacional
Papa pensou em renunciar em 2000
O papa João Paulo II pensou em renunciar em 2000, no século que acaba de terminar, de acordo com trechos do seu testamento espiritual divulgado ontem. O documento, aberto e lido na quarta-feira apenas durante a Congregação de Cardeais, começa com a seguinte frase: Despertem, porque não sabem em que dia nosso Senhor virá. A possibilidade de renúncia foi devido a seu debilitado estado de saúde. O testamento espiritual do sumo pontífice indica ainda que o papa demonstrou o desejo de ser enterrado na Polônia, mas deixou a cargo do colégio dos cardeais a decisão final. João Paulo II também pediu, a exemplo do papa Paulo VI (1963-1978), que todas as suas anotações pessoais sejam queimadas. O texto de 15 páginas, que começou a ser escrito por João Paulo II em 1979, foi lido pelos cardeais em polonês e italiano (versão traduzida). O papa agradeceu a Deus pelo fato de a Guerra Fria ter acabado sem um conflito nuclear, segundo o texto de seu testamento. Graças à providência divina, a Guerra Fria acabou sem um violento conflito nuclear, escreveu João Paulo II. O documento revelou que o papa se preparava para a morte. Este fato sempre aparecia quando João Paulo II corrigia o testamento. Na última parte do testamento, que foi escrito em polonês, o papa agradece à Igreja Católica, a outras religiões e também a artistas, cientistas e políticos pelo apoio durante seu pontificado. Ele agradeceu ainda ao seu secretário particular, Stanislaw Dziwisz, ao ex-rabino-chefe de Roma, Elio Toaf, e lembrou de seus pais e irmãos.