Internacional
Igreja se volta para a sucessão do papa
São Paulo - Após o enterro do papa João Paulo 2º, as atenções do mundo católico começam a se voltar para o processo de sucessão. Oficialmente, o processo começará a partir do dia 18, quando tem início o conclave, a reunião de cardeais convocada com o propósito específico de escolher o novo comandante da Santa Sé. Na prática, os 116 cardeais que participarão do próximo conclave já estão no Vaticano. Em tese, qualquer cardeal com idade até 80 anos pode votar e qualquer um deles pode ser escolhido papa, mesmo que tenha mais de 80 anos. Brasileiro cotado Em meio a esse processo, vários nomes começam a despontar na lista dos cardeais mais cotados a assumir o trono de Pedro - será o 265º papa da Igreja Católica. O cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, integra a lista dos mais cotados divulgada pela imprensa internacional. Apesar da torcida brasileira, d. Cláudio, no entanto, não faz parte da cúpula da igreja. Segundo a revista Time??, o nome de Hummes aparece ao lado do italiano Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, e do alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que ficou no lugar do Tribunal da Inquisição. Tettamanzi seria provavelmente o principal candidato italiano; Hummes representaria uma virada em direção ao mundo em desenvolvimento - onde o catolicismo continua a crescer-; e Ratzinger representaria a preocupação em nomear um pontífice capaz de manter em forma a burocracia da igreja. Vantagem italiana O professor de teologia da PUC-SP, Fernando Altemeyer, disse que tradicionalmente os nomes italianos levam vantagem sobre os demais cardeais. Os italianos são sempre fortes candidatos. Eles são maioria dentro do conclave e têm um peso importante nas decisões da Igreja Católica.?? Altemeyer disse que existem nomes que não aparecem na lista dos mais cotados, mas que poderão ser escolhidos em função das deliberações da igreja. Se a igreja entender que o desafio dos próximos anos é fortalecer sua presença na Ásia, poderá optar pela escolha de um nome dessa região. Ratzinger teria a seu favor a força e a riqueza da Alemanha. Diz-se que o Vaticano gastou muito dinheiro com a realização dos conclaves que escolheram João Paulo 1º e João Paulo 2º, em 1978. E que naquela época os alemães ajudaram o Vaticano a cobrir os gastos com a realização desses eventos. Em contrapartida, a bancada alemã?? no último conclave ganhou força para indicar Karol Wojtyla. Apesar da vantagem de cada um dos candidatos a papa, os teólogos e religiosos são cautelosos em cravar com certeza o nome do futuro sumo pontífice. Segundo todos eles, quem entra papa no conclave, costuma sair cardeal??. Dom Cláudio Hummes, 70, arcebispo de São Paulo, perdeu posição nas bolsas de apostas do Reino Unido sobre quem será o novo papa. Por outro lado, dom Geraldo Majella Agnelo, 71, arcebispo de Salvador (BA), começou a ser citado. Na Paddy Power, empresa britânica de apostas, dom Cláudio aparece em sexto lugar. Antes, estava em quinto lugar. Já o arcebispo de Salvador entrou na lista dos 63 cardeais que podem receber apostas, mas está na posição dos azarões, como é o caso do cardeal ucraniano Lubomyr Husar, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, que segue padrões ortodoxos. Apostas Mas, no final da noite de sexta-feira, dom Cláudio havia despencado para o oitavo lugar na lista dos mais cotados. Para os apostadores, os nomes mais fortes para ser o novo papa são o italiano Dionigi Tettamanzi, 70, arcebispo de Milão, e o nigeriano Francis Arinze, 72, líder da Igreja na África. Tettamanzi é tido como um moderado, mediador entre os liberais e conservadores. Já Arinze, que foi um amigo próximo de João Paulo 2º, é considerado um conservador. Seria o primeiro papa negro da história.