Internacional
Argentina quer relação de sócios com o Brasil
FOLHAPRESS O subsecretário de Integração Econômica do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, Eduardo Sigal, disse ontem que a recuperação econômica do Brasil não pode ser às custas da Argentina e disse que seu país está disposto a estabelecer uma relação de sócios, e não um contrato de adesão. Precisamos um do outro. O Brasil também está se recuperando, mas queremos que isso não seja ao custo do desenvolvimento da Argentina, disse Sigal, segundo o diário argentino Clarín. Ele destacou que ninguém discute com o Brasil a importância de construir uma relação com os dez países com os quais faz fronteira e desenhar uma política de projeção continental e mundial, mas que isso não pode ser de graça nem mesmo à custa do desenvolvimento de outros países. O subsecretário disse, em entrevista a um canal de TV argentino, que o país pede ao Brasil um tratamento de sócios, porque não faz mais contratos de adesão, como se faziam no governo menemista, referindo-se ao governo do ex-presidente argentino Carlos Menem (1989-99). Segundo Sigal, o governo argentino tem opinião própria sobre todas as questões e lembrou que o país ambiciona ter um papel destacado no cenário mundial. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, admitiu, em um tom mais moderado, as diferenças nas relações entre o Brasil e a Argentina. Sempre vai haver relações entre dois vizinhos, e quando há tanto capital histórico entre os dois, há idas e vindas. Esta é uma vinda, mas, se não deixarmos espaço para dúvidas e trabalharmos com firmeza e com profissionalismo, teremos novamente uma ida, disse. O diário argentino Clarín publicou na segunda-feira reportagem em que representantes diplomáticos argentinos fizeram críticas ao Brasil, atribuindo-as ao presidente Kirchner, em uma reunião no últimos fim de semana. Entre as críticas estariam a de que o Brasil impõe entraves econômicos e que pretendem assumir papel de liderança regional na América do Sul Do lado de cá O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, minimizou ontem a tensão entre as relações do Brasil com a Argentina, mas reconheceu que o Brasil poderia fazer mais pela Argentina do que tem feito. Após reunião do G-20 em Paris, Amorim afirmou que é normal que dois países importantes como Brasil e Argentina possam ter algum ponto de diferença. Mas nossa aliança é estratégica??, disse. Eu não vejo nenhuma tensão nas relações com a Argentina. Nossa relação é muito positiva??, completou o ministro. Ele evitou comentar as críticas do governo argentino ao Brasil sobre a tentativa de reforçar a liderança brasileira na região, mas admitiu que talvez haja momentaneamente uma visão um pouco diferente??.