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Revista Newsweek se retrata

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AGÊNCIA O GLOBO A revista Newsweek se retratou totalmente em um comunicado emitido ontem sobre uma matéria que apontava suposta difamação do Corão por militares norte-americanos na base americana de Guantánamo e que provocou violentas manifestações no mundo islâmico. Anteriormente, a publicação havia admitido que houvera um erro de sua fonte e que lamentava pelos incidentes. A nota de retratação ocorreu depois de forte pressão da Casa Branca. O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Richard Boucher disse ontem que esperava mais da Newsweek no caso. À medida que se revela como foi escrita essa história, poderia se esperar mais do que o tipo de correção que vimos até agora, reprovou Boucher. A Newsweek disse que a fonte, sob condição de anonimato, disse ter visto um relatório militar segundo o qual um exemplar do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, foi lançado num vaso sanitário em Guantánamo para intimidar prisioneiros. Em matéria publicada na última edição da revista, que chegou às bancas ontem, o porta-voz do Pentágono Larry DiRita atacou a fonte que levou o repórter da Newsweek a escrever a polêmica matéria. Pessoas morreram por causa do que esse filho da p... disse. Como ele pode ser crível agora?, afirmou o porta-voz em entrevista na noite de sexta-feira. DiRita manifestou irritação por, segundo ele, a matéria ter exposto a perigo soldados americanos no Afeganistão e ter detonado manifestações antiamericanas. Muçulmanos no Afeganistão e no Paquistão receberam com ceticismo a retratação da revista Newsweek. No país onde o relato inicial desencadeou mais protestos e a conclamação de guerra santa, diz-se que o governo dos Estados Unidos pressionou a publicação a desmentir a reportagem. Não seremos enganados por isso - disse o mulá Sadullah Abu Aman, da província de Badakhshan, no Norte do Afeganistão. No Paquistão, aliado estratégico dos EUA na guerra contra o terrorismo e os extremistas islâmicos, o ministro de Relações Exteriores pediu a abertura de um inquérito. Na semana passada, 16 pessoas morreram e mais de uma centena ficou ferida no Afeganistão, em manifestações violentas e reprimidas pela polícia. Também houve protestos no Paquistão, na Índia, na Indonésia e na Faixa de Gaza (território palestino).

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