Internacional
Europa teme contágio do não dos franceses
AGÊNCIA O GLOBO Os líderes da União Européia temem profundamente o risco de contágio do retumbante não da França à nova Constituição do bloco. Apesar de sustentar que o pacto não está morto, eles estão reconhecendo que suas chances de se sustentar foram solapadas pela decisão do eleitor francês. O impacto econômico da rejeição também preocupa. Não se cogita renegociar a Carta e, pelo menos até a reunião de cúpula marcada para 16 e 17 de junho, o bloco se verá mergulhado num de seus períodos de maior incerteza. Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Tony Blair disse que haverá um referendo se houver um tratado para se votar. O presidente da França, Jacques Chirac, conversou com vários líderes europeus por telefone ontem, para dizer que vai continuar trabalhando pela integração européia. Ele sinalizou que, a seu ver, o processo de ratificação tem que continuar em outros países europeus, disse um porta-voz. Nove países aprovaram a Constituição Européia. Mas 15 - a começar pela Holanda, amanhã - ainda precisam se pronunciar sobre o tratado. A França foi o primeiro país a rejeitá-lo, por uma margem maior do que a maioria esperava - 54,87%. Na Holanda, outro membro fundador do bloco, a campanha pela rejeição, em vantagem nas pesquisas de opinião, interpretou o não francês como um importante aval. Sempre se disse que a Holanda seria o vizinho tolo votando não. Isso vai dar aos holandeses mais confiança para dizer não a esta Constituição, disse Harry van Bommel, representante do Partido Socialista. A rejeição da Holanda pode forçar o Conselho Europeu a declarar o fracasso da Carta. Há um risco de contágio, reconheceu o presidente da Comissão Européia, José Durão Barroso. ### Chirac anuncia mudanças no governo O triunfo do não à Constituição européia no plebiscito de domingo mergulhou a França numa grave crise política, e o presidente Jacques Chirac fez ontem consultas políticas para definir o nome de seu novo premier, que será anunciado na manhã de hoje. Apesar de ser o grande derrotado nas urnas, pois era o maior cabo eleitoral do sim, Chirac usará seu ainda premier, Jean-Pierre Raffarin, como bode expiatório. Ele deixará o governo. Mas o nome de seu substituto permanece um mistério. O favorito até o cataclismo eleitoral de domingo era o ministro do Interior, Dominique de Villepin. Ao longo das consultas de ontem, contudo, ganhou força Nicolas Sarkozy, ex-ministro do Interior e das Finanças e da Economia, é o favorito dos franceses (25%), de acordo com pesquisa divulgada. Villepin só apareceu em terceiro na consulta popular (11%), atrás da ministra da Defesa, Michelle Alliot-Marie (13%). O principal problema é que Sarkozy, que preside o partido de Chirac, a União por um Movimento Popular, é o maior rival de Chirac na corrida pela candidatura à Presidência. De qualquer modo, uma coisa é certa: está aberta a disputa pela Presidência, embora o pleito só deva ocorrer em 2007.