Internacional
Lula e Bush anunciam rela��o mais estreita
Washington ? Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula de Silva, e dos Estados Unidos, George Bush, anunciaram ontem, após mais de duas horas de conversas e de um almoço na Casa Branca, a decisão de ?criar uma relação mais estreita e qualitativamente mais forte? entre o Brasil os Estados Unidos. ?É hora de definir-se um novo e decidido rumo em nosso relacionamento, guiado por uma visão comum de liberdade, democracia, paz, prosperidade e bem estar para os nossos povos, com vistas à promoção da cooperação hemisférica e global?, afirmaram, num comunicado conjunto dos dois países que delineou os termos de uma cooperação mais ampla e mais profunda e marcou o reconhecimento pelos Estados Unidos do papel de liderança internacional do Brasil. Novos mecanismos Para sublinhar a disposição declarada pelos presidentes de elevar o relacionamento a um novo patamar e dar mais estrutura ao diálogo bilateral, os dois governos anunciaram a criação de vários novos mecanismos de consulta de alto nível entre os respectivos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Minas e Energia e áreas afins em Ciência e Tecnologia, que se somarão aos existentes nas áreas diplomática, de política de comércio exterior e defesa. Lançaram ainda um projeto que levará o Brasil e os EUA a atuar juntos em programas de combate à Aids/HIV em Moçambique e, numa segunda etapa, em Angola. /// Presidente cobra vaga em conselho da ONU O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mudanças na Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Lula, o Brasil ?tem todo interesse? em mudanças na organização internacional, especialmente após a guerra entre os Estados Unidos e o Iraque. Afirmou, ainda, que aproveitou o encontro na Casa Branca para afirmar a Bush que o Brasil pleiteia uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. ?Acho que ele vai fazer uma reflexão porque temos o apoio de muita gente no mundo, de toda a América Latina?, ressaltou. O fato do Brasil não ter apoiado os EUA na guerra contra o Iraque não representa, na opinião do presidente Lula, uma ameaça às relações bilaterais. ?Sempre haverá temas que são motivo de discordância. E nós precisamos ter inteligência e competência para fazer com que a gente discuta as coisas em que concordamos. Eu não vim aqui para discutir o Iraque, eu vim aqui para discutir relação Brasil - EUA?, garantiu. O presidente Lula é o primeiro chefe de Estado, que não apoiou os Estados Unidos na guerra, a ser recebido por George W. Bush. /// Geração de energia nuclear Washington ? O Brasil vai trabalhar com os Estados Unidos para aperfeiçoar a sua geração de energia nuclear. Esse foi mais um resultado da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros brasileiros à capital norte-americana. O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, assinou com a Secretaria de Energia dos Estados Unidos acordo que permite o trabalho em conjunto para o aperfeiçoamento de energia nuclear de quarta geração. Por esse sistema a energia nuclear é produzida de forma mais segura, sem resíduos tóxicos e com menor uso de material atômico. O Brasil pretende trabalhar com os Estados Unidos e com outros países para produzir reatores nucleares, mas ainda não há data prevista para que isto seja colocado em prática. Na área de energia, a ministra Dilma Rousseff também assinou protocolo de entendimento com os Estados Unidos para a colaboração na área de pesquisa, planejamento e de energias renováveis.