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Militar relata �ltimos momentos de Vieira de Mello em escombros

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Washington ? O sargento de reserva americano William von Zehle, 52, foi um dos primeiros a chegar ao prédio da ONU (Organização das Nações Unidas) em Bagdá minutos após a explosão de um caminhão-bomba, há uma semana. O ataque matou 23 pessoas, entre elas o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, e feriu mais de cem. Em reportagem publicada anteontem no site da rede de TV americana CNN, o militar relata sua experiência nos escombros do prédio da ONU na capital iraquiana e diz que esteve com Vieira de Mello durante as últimas horas de vida do diplomata. Zehle disse ter conversado várias vezes com Vieira de Mello, enquanto o diplomata estava preso sob os escombros, na tentativa de mantê-lo acordado. Segundo Zehle, o diplomata falou sobre sua mulher, seus dois filhos e sua casa no Brasil. O militar americano disse que mesmo preso, com os ossos quebrados e provavelmente com hemorragia interna, Vieira de Mello não parava de fazer perguntas. ?Como estão todos? Quantas pessoas estão feridas? Você pode me dizer o quê aconteceu??, perguntou o diplomata. Zehle e outro militar trabalharam nos escombros para tentar salvar Vieira de Mello e outro homem. Segundo o militar americano, outros membros da equipe de resgate, inconscientemente, atrapalharam seu trabalho quando provocaram miniavalanches ao removerem escombros perto dali. ?O local estava cada vez mais inseguro, o tempo corria contra nós?, disse. Inconsciente Segundo Zehle, as respostas de Vieira de Mello começaram a ficar cada vez mais lentas e incoerentes. Ele disse também que o diplomata ficou em silêncio pouco antes de libertarem o homem que estava preso acima de seu corpo. Zehle disse ter checado o pulso de Vieira de Mello, quando percebeu que o coração do diplomata ainda batia, embora já estivesse inconsciente. ?Pouco depois, morreu?, disse. ?Sérgio. Sérgio! Fique comigo! Não durma! Você está indo bem!?, teria dito Zehle quando Vieira de Mello parou de responder às suas perguntas. O soldado sabia apenas o primeiro nome do homem gravemente ferido e preso nos escombros que tentava salvar. Zehle disse que o diplomata não mencionou que era Sérgio Vieira de Mello, representante especial da ONU no Iraque, para as pessoas que tentavam salvar sua vida. O militar disse que apenas horas mais tarde soube de quem se tratava, e disse ter sentido a ?obrigação moral? de enviar uma carta ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, recordando as palavras finais de Vieira de Mello. Durante sua visita ao Brasil ? para participar do velório de Vieira de Mello ? Annan fez referência à carta de Zehle, dizendo que o desejo do diplomata ao morrer era o de que a ONU continuasse no Iraque.

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