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Trauma e economia afetam Nova Iorque

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Nova Iorque ? Dois anos depois dos ataques do 11 de Setembro, o que restou do World Trade Center é um asséptico canteiro de obras que atrai milhares de turistas todos os dias. Mas a maioria dos 8 milhões de nova-iorquinos ainda está longe de curar-se do trauma causado pela implosão das torres gêmeas. Além da perda causada por mais de 3.000 mortes e milhares de feridos, a cidade também não se recuperou da crise econômica, agravada pela tragédia. Em 2004, Nova Iorque deve amargar um déficit fiscal de US$ 4,5 bilhões, com um índice de desemprego ode 8% ?quase 2% a mais que a média nacional, que é de 6,2%. ?Todo mundo foi afetado neste país?, diz Antonio Checo, assistente da diretoria da Cruz Vermelha. Ele supervisiona programas terapêuticos e de assistência social prestados à população da cidade. ?Os mais afetados foram aqueles seriamente feridos nos ataques. Eles incluem bombeiros, policiais e os trabalhadores que estavam no Pentágono e no World Trade Center.? Arturo Griffith, 56, e sua mulher Carmen, 47, se enquadram nesta categoria. Ele trabalhava como ascensorista na torre norte do WTC e ela, como faxineira no mesmo prédio. Arturo teve um dos joelhos esmagado pelos escombros do elevador. Mesmo depois de passar por uma cirurgia, ele só consegue caminhar com a ajuda de uma bengala. Carmen teve o rosto e as mãos queimados, adquirindo hipersensibilidade ao calor e ao tato. ?Estamos fazendo terapia duas vezes por semana e indo ao psiquiatra uma vez por mês?, diz Arturo Griffith. ?Cada vez que chega o 11 de Setembro é como um flashback. Eu começo a chorar. Aquilo jamais sairá da minha mente. É uma coisa que incomoda, dói.? ?Nós não temos podido trabalhar?, acrescenta. ?Para mim, o tempo do trabalho acabou porque eu não posso operar a máquina. A Carmen não consegue nem cozinhar, porque não suporta o calor.? Os Griffith são portadores da síndrome PTSD, sigla em inglês para desordem de estresse pós-traumático. Raiva, depressão, insônia e pânico são alguns dos sintomas característicos da PTSD. O quadro tem afetado milhares de nova-iorquinos. Desde setembro de 2001, a Cruz Vermelha vem atendendo cerca de 6.000 famílias na cidade, prestando atendimento médico e emocional, além de ajuda financeira aos feridos.

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