Internacional
D�vida engole crescimento do Brasil, diz economista do FMI
Dubai - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou ontem que o alto endividamento do Brasil vai continuar absorvendo uma parcela do crescimento do país. ?A dívida doméstica é grande, algo em torno de 65% do PIB. A dívida externa é muito alta, cerca de mais de 50% do PIB. Esses problemas não desaparecem da noite para o dia e continuarão absorvendo uma parcela do crescimento nos próximos anos. É preciso ter um crescimento sustentável para diminuí-los em relação ao Produto Interno Bruto, a menos que o país adote medidas mais radicais?, disse o economista-chefe do Fundo, Kenneth Rogoff. Durante entrevista em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na abertura do encontro anual do FMI e do Banco Mundial, Rogoff afirmou que o país ainda não pode ?relaxar e ir em frente?. Apesar das advertências, o economista também fez elogios ao país. ?A performance do Brasil desde as eleições tem sido exemplar, e a administração do Banco Central, notável. O presidente Lula tem dado passos firmes na tentativa de realizar reformas, mas o país ainda tem um longo caminho pela frente?, disse. Meta Atualmente, o Brasil tem como meta acertada com o FMI poupar 4,25% do PIB (a soma de todos os bens e serviços produzidos em um ano) para pagar juros de suas dívidas. Na Argentina, após uma moratória que durou pouco mais de um dia, a mesma meta acaba de ser fixada em 3%. Apesar de citar a expressão ?mais radical? como uma alternativa para o Brasil durante a entrevista, Rogoff não explicou o que isso significaria na visão do Fundo e nem deixou claro se exortava a adotá-la. O economista, entretanto, citou os casos do México, Chile, Grécia, Portugal e Espanha como exemplos de países que tinham dívidas pesadas e que conseguiram superar seus problemas ao longo do tempo. ?Não devemos nos esquecer de que a Espanha, que vai muito bem hoje, tem um histórico de 13 moratórias?, afirmou.