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Lula diz que Brasil n�o precisa de acordo com FMI

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Nova York ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou ontem que o Brasil não precisa fechar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) agora e disse que isso só será feito se o acordo for vantajoso para o país. Lula deu uma entrevista a jornalistas brasileiros, que durou mais de 30 minutos, após almoço com o presidente da Argentina, Nestor Kirchner. ?Só vamos fechar um acordo se ele apresentar vantagem para o Brasil?, avisou. Indagado se a manutenção de um alto superávit comercial pelo Brasil não atrapalha os investimentos do governo e acabam reduzindo os recursos para a área social, Lula disse que o superávit ?é um problema do Brasil? e não tem nada a ver com o acordo com o FMI. Sobre as taxas de juros, Lula disse que o governo não pode promover reduções muito abruptas e se arrepender depois se a inflação voltar. O presidente disse que os juros serão reduzidos gradativamente e afirmou estar confiante no reaquecimento da economia. ?A economia brasileira entrou em rota de crescimento e não vai voltar mais. Não posso tomar uma decisão em que corra o risco de voltar atrás depois?, disse Lula, referindo-se às taxas de juros. O presidente brasileiro disse ter falado ao presidente George W. Bush, no almoço de terça-feira, que estranhava a reação dele sobre a posição do Brasil nas negociações na reunião da Organização Mundial do Comércio, em Cancún, no México. ?Não entendemos por que há dois meses os americanos tinham uma posição e depois mudaram.? Fim do subsídio O presidente prometeu que vai continuar lutando pelo fim dos subsídios do governo americano aos produtos agrícolas e contra as barreiras aos produtos brasileiros. Segundo ele, o Brasil precisa parar de reclamar e se impor nas negociações porque ninguém ajuda a quem negocia de cabeça baixa. ?Eu não sou de chorar. Ninguém vai fazer nada por nós?, prosseguiu, afirmando que a relação dele com Bush é boa e a divergência foi exposta no discurso feito ontem na assembléia da ONU. Lula contou que disse a Kirchner que os dois precisam brigar juntos para ganhar espaços no mercado internacional e obter melhores condições de negociação nos acordos que celebram com os organismos multinacionais. O presidente disse ainda que a Argentina nunca pediu dele uma manifestação sobre a decisão de não pagar parcela de sua dívida com o FMI e as negociações seguintes com o Fundo Monetário. Na terça-feira, para mostrar-se disposto a recompor o vínculo com o país vizinho, Lula destacou a importância da aliança entre Brasil e Argentina em seu discurso na ONU. Segundo fontes do governo argentino, Kirchner teria ficado profundamente decepcionado com Lula pela falta de apoio do Brasil às negociações da Argentina com o FMI.

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