Internacional
Lula � recebido por Fidel Castro em Havana
Havana - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 57, desembarcou, ontem, em Cuba com presentes econômicos para o ditador Fidel Castro, 77. Será facilitado o pagamento de 20% da dívida de cerca de R$ 134 milhões do país com o Banco do Brasil e serão investidos R$ 20 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na construção de uma usina de álcool combustível. Lula desembarcou às 12h15 (horário de Brasília, 11h15 em Havana). Foi recebido na pista do aeroporto por Fidel, que quebrou o protocolo ao aparecer de surpresa. Fidel e Lula deixaram o aeroporto para um almoço na residência do embaixador do Brasil em Havana, Tilden Santiago. Se os presentes econômicos brasileiros ajudam Fidel a sobreviver ao forte embargo comercial americano, eles também têm a função de facilitar os planos de empresários brasileiros de aumentar seus investimentos em Cuba, principalmente no setor de álcool combustível e de suco de laranja. Na avaliação do governo e de empresários brasileiros, Cuba deverá sofrer maior abertura comercial quando a ilha não for mais governada por Fidel. No cenário pós-Fidel, seria estratégico para o Brasil tentar dominar o setor de álcool combustível e abocanhar parte do mercado de suco de laranja. Cuba fica próxima da Flórida, Estado norte-americano que compete com o Brasil na área de suco de laranja. Em entrevista, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, confirmou um financiamento de R$ 20 milhões do BNDES para uma usina de álcool combustível em Cuba. ?O dinheiro poderá ser usado por uma empresa brasileira ou por uma joint venture entre uma companhia do Brasil e de Cuba?, afirmou Furlan. No total, foram assinados 12 acordos, entre acertos comerciais, intenções de negócio e convênios de cooperação tecnológica. Alguns desses convênios serão de cooperação tecnológica entre Brasil e Cuba. Alguns estão na área de saúde e educação. O ministro Humberto Costa (Saúde), membro da comitiva, disse que o Brasil comprará medicamentos cubanos para tratamento de doenças do sangue e hepatite C. A suavização do pagamento da dívida cubana com o Banco do Brasil será feita pelo seguinte mecanismo: 20% da dívida poderá ser paga por produtos importados pelo Brasil de uma lista específica. Nessa lista, há, por exemplo, medicamentos e barcos cubanos para pesca de lagosta. Exemplo: nas novas exportações de medicamentos de Cuba para o Brasil, o Banco do Brasil reteria 20% para o pagamento da dívida. A assessoria de imprensa do Banco do Brasil confirmou a informação, mas não revelou o valor da dívida nem a natureza do empréstimo. O mesmo mecanismo, com o teto de 20%, também funcionará para o pagamento de dívidas de Cuba com empresas brasileiras. Essa dívida, porém, é pequena. Segundo o embaixador Washington Luís Pereira de Sousa, diretor do Departamento de América do Norte do Itamaraty, ?Cuba deve algo entre R$ 36 milhões e R$ 43 milhões?.