Internacional
Protestos na Bol�via matam 28 e 4 ministros renunciam
La Paz ? Dois civis morreram ontem em La Paz, capital da Bolívia, aumentando para 28 o número de bolivianos que perderam a vida desde sábado nos conflitos com a polícia e o Exército pedindo a renúncia do governo do presidente Gonzálo Sánches de Lozada. O ministro do Desenvolvimento Econômico da Bolívia, Jorge Torres, renunciou ontem à tarde a seu cargo no governo do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. Pouco antes, o partido populista Nova Força Republicana (NFR), recentemente aliado ao governo da Bolívia, retirou seus três ministros do gabinete. Os protestantes, com saques e incêndios a lojas, supermercados e outros estabelecimentos comerciais e órgãos públicos, dos últimos dias deixaram 28 mortos na Bolívia, reivindicam, além da saída do presidente, que o país não exporte gás para os Estados Unidos via costa norte chilena ? região disputada por Bolívia e Chile. O território era a única saída para o mar que a Bolívia possuía e foi perdido para Santiago na Guerra do Pacífico, em 1879. Em uma carta dirigida ao presidente, Torres afirma: ?Não acredito em soluções de força e menos ainda quando do outro lado se encontra a maioria da população. Dadas estas condições e desde este ponto de vista, e de acordo com meus princípios, apresento minha renúncia irrevogável?. Torres é membro do Movimento da Esquerda Revolucionaria (MIR, social-democrata), principal aliado de Sánchez de Lozada. Filho do ex-presidente progresista Juan José Torres (1979-71), assassinado em Buenos Aires (Argentina) em maio de 1976, Jorge Torres não informou na carta se sua decisão representava oposição do MIR, liderado pelo ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-93). O governo de Sánchez de Lozada, que assumiu o país em agosto de 2002 para um período de cinco anos, conta com o respaldo do MIR ? principal aliado do governo ?, que ontem fez uma reunião em um local não divulgado de La Paz, para avaliar a situação crítica que o país atravessa, de acordo com informações das rádio locais. Após as 28 mortes ocorridas no fim de semana e ontem, a paralisação convocada pelos sindicados de gás natural e petróleo da Bolívia continua. De acordo com informações da imprensa on-line local, não haverá nem pão nem carne nem transporte. As aulas também estão suspensas. A COB (Central Boliviana do Trabalhador) e os professores anunciaram que vão manter suas marchas e manifestações, o que pode gerar o fechamento dos mercados, estabelecimentos comerciais e até do transportes públicos.