Internacional
Homem conta detalhes sobre tr�fico internacional de �rg�os
Recife e Johanesburgo ? Após assistir a uma reportagem sobre uma quadrilha internacional de tráfico de órgãos no Jornal Nacional, um dos homens que participou do esquema contou detalhes sobre a transação. O rapaz, que não quis se identificar, vendeu um de seus rins por R$ 40 mil e afirmou que um capitão da Polícia Militar de Pernambuco, que já está preso, e sua mulher também estão envolvidos. A polícia da África do Sul informou ontem que prendeu duas pessoas suspeitas de terem ligação a quadrilha. Os detidos são um israelense, que teria recebido o transplante, e um sul-africano descendente de israelenses, suspeito de servir de contato. Segundo a porta-voz da polícia, Mary Martins-Engelbrecht, eles foram presos na quarta-feira. O rapaz pernambucano revelou à polícia que a cirurgia foi feita num hospital em Durban, na África do Sul, em novembro do ano passado. O órgão foi retirado por uma equipe de médicos estrangeiros e transplantado para um paciente iraquiano. ?Eu entrei primeiro e ele entrou após, com certeza foi na mesma sala?, contou o homem, referindo-se à operação de transplante do órgão. O rapaz, que exibe uma cicatriz de 40 centímetros que vai do abdome até as costas, disse que tomou conhecimento do comércio de órgãos através de amigos. Ele contou que só recebeu o pagamento pela venda do rim quando voltou ao Brasil. Afirmou ainda que toda a transação era intermediada no Recife por um capitão da Polícia Militar de Pernambuco, e a mulher dele. ?A pessoa responsável para arranjar nosso passaporte foi o Telinho e a esposa do capitão Ivan?, revelou. Segundo ele, antes de embarcar para Durban, as pessoas passavam por uma série de exames que avaliavam as condições físicas e a compatibilidade sanguínea dos pacientes. Os testes eram feitos num dos laboratórios mais conceituados do Recife. A pessoas eram levadas pelo capitão da PM e quem assinava os exames, de acordo com a testemunha, era um médico, também oficial da PM. Com o resultado dos exames, os doadores embarcavam para a África do sul. As negociações para venda dos rins eram feitas em bairros pobres da capital. A Polícia Federal está investigando o caso. Onze pessoas ? nove brasileiros e dois israelenses ? foram presas, acusadas de envolvimento no esquema. O superintendente da PF, Wilson Damázio, a embaixada da África do Sul em Brasília e a Interpol foram contatadas para ajudar a descobrir outras conexões com a quadrilha, que agia há mais de um ano em Recife. Há indícios de ligação com o tráfico de brasileiros para o exterior. O pedido de criação da CPI do Tráfico de Órgãos Humanos foi lido ontem em Plenário pelo primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE). Requerida pelo deputado Neucimar Fraga (PL-ES), a CPI será instalada após os líderes indicarem os representantes das bancadas partidárias.