Internacional
Brasil � exclu�do da reconstru��o do Iraque
Londres ? O Brasil foi excluído da lista de países elegíveis para participar da reconstrução do Iraque divulgada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A decisão dos EUA pode ser em represália porque o governo brasileiro negou-se a ajudar na guerra para derrubar o regime de Saddam Hussein. Outros países que também se recusaram a apoiar a ofensiva militar liderada pelos norte-americanos no Iraque, como a França, Alemanha e Rússia também foram excluídos na lista. O Departamento de Defesa anunciou que 63 países poderão competir por um total de 24 novos contratos de reconstrução, envolvendo US$ 18,6 bilhões. Os contratos são para obras nas áreas de petróleo, energia, comunicações, água, habitação e obras públicas, além do setor militar, com o fornecimento de equipamentos. Colômbia, Costa Rica, República Dominicana e El Salvador são alguns dos países latino-america-nos habilitados para se envolver na reconstrução do Iraque. Espanha, Portugal e Japão, que se demonstraram favoráveis à intervenção americana, também estão na lista de elegíveis. Segundo o documento do Departamento de Defesa, o sucesso da reconstrução do Iraque é essencial para o desenvolvimento econômico do país. ?Apoio internacional e cooperação são necessários para o progresso do Iraque?, diz o documento. ?Um esforço fracassado para a reconstrução teria sérios efeitos negativos no sucesso da guerra.? Reação O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentou na Líbia a exclusão do Brasil da lista de 63 países elegíveis para competir por contratos na reconstrução do Iraque divulgada pelo Departamento de Defesa americano. Amorim defendeu que a política externa brasileira não deve seguir necessariamente a lógica comercial. Além do Brasil, outros países excluídos são França, Alemanha e Rússia, nações que se opuseram à guerra no Iraque. ?Isso (a lista) é mais um motivo para que o Iraque obtenha a sua soberania?, disse Celso Amorim, ao defender que são os habitantes iraquianos que devem decidir sobre seu destino econômico. O ministro também defendeu a lógica de manter uma política externa ativa e ousada. ?Quem não tem posição própria e independente não é chamado para nada?, disse. Amorim também comentou as informações de que o presidente Lula fez críticas aos Estados Unidos durante sua reunião com os membros da Liga Árabe. Sobre o fato de Lula ter dito que os Estados Unidos erraram ao promover a guerra, Amorim disse que esta é uma opinião do Brasil já conhecida. O chanceler explicou ainda o contexto em que Lula citou o embaixador José Maurício Bustani ? embaixador brasileiro em Londres que, durante cinco anos, foi diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).