Internacional
Powell pede a Amorim o fim do fichamento
Washington ? O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, anunciou ontem que pediu ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que supere o clima de tensão causado pela aplicação, nos Estados Unidos, de um novo sistema de controle de identidade, que levou o Brasil a instalar medidas similares. ?Conversei na quarta-feira com o ministro Amorim, e lhe disse: Vamos superar o problema, que não pode se tornar maior e prejudicar as relações entre Brasil e Estados Unidos?, declarou Powell durante uma entrevista coletiva à imprensa. ?Acredito que algumas modificações estão em andamento no Brasil com relação às instruções do juiz?, acrescentou, em referência a uma sentença do juiz federal mato-grossense Sebastião da Silva, que impõe controles reforçados de identidade aos cidadãos americanos que chegam no território. Amorim afirmou em Brasília que é ?provável? que o governo brasileiro entre com um recurso contra a sentença do juiz. ?É provável que sim, mas acho que ainda temos de estudar os termos precisos e outros aspectos? da apelação, declarou Amorim a jornalistas. Os Estados Unidos começaram na segunda-feira passada (5) a tirar fotografias e impressões digitais de todos os estrangeiros com vistos que chegam aos 115 aeroportos internacionais do país, o que motivou a sentença de Silva, em virtude do princípio de reciprocidade. O programa de segurança americano ?tinha que ser instalado para nos proteger das pessoas que entram no nosso país?, disse Powell. A diferença entre o sistema americano e o brasileiro é que ?o Brasil está discriminando os americanos, enquanto nosso programa é universal, exceto para os cidadãos de 28 países?, nenhum destes latino-america-no, acrescentou Powell. O Brasil pediu a Washington sua inclusão aos 28 países isentos dos controles de segurança reforçados. O ministro brasileiro disse a Powell que se trata de ?uma questão que envolve diversas sensibilidades e preocupações?, mas que o Brasil tem ?todo interesse em encontrar uma solução construtiva e satisfatória para ambas as partes?, afirmou em Brasília um porta-voz da Chancelaria.