Internacional
Spirit j� trafega pela superf�cie de Marte
Califórnia ? Saem os engenheiros, entram os cientistas. O jipe Spirit, depois de 12 dias marcianos, finalmente colocou suas seis rodas na empoeirada superfície de Marte, nas primeiras horas de ontem. Agora começa a verdadeira missão de exploração da cratera Gusev, local que pode ter abrigado um lago no passado remoto do planeta. Depois de fazer um giro de 115 graus em sua plataforma de pouso, o jipe desceu por uma rampa alternativa. Foram apenas três metros para o robô, mas uma grande festa para os participantes da missão, instalados no JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, em Pasadena, Califórnia. ?O Spirit andou três metros... a meio bilhão de quilômetros daqui?, conta Paulo Antônio de Souza Júnior, físico brasileiro que atualmente participa da missão dos jipes enviados a Marte pela agência espacial americana. Com a manobra bem-sucedida, agora é que a pesquisa começa para valer. O engenheiro Chris Lewicki, diretor de vôo, definiu a situação para a equipe técnica envolvida no delicado procedimento que levou à descida do robô. ?É como se estivéssemos dirigindo um belo carro esportivo, mas no final somos apenas os manobristas que o trazem até a porta da frente e entregam as chaves à equipe científica?, disse, durante uma entrevista coletiva. Com as primeiras imagens enviadas pelo veículo, ainda de cima da plataforma, os cientistas começaram a escolher alguns alvos para o início da missão exploratória. Ela vai durar pelo menos mais 77 sóis (como são chamados os dias marcianos, que têm duração de 24 horas e 39 minutos terrestres), antes que as baterias percam a capacidade de fornecer energia suficiente aos instrumentos do jipe. ?O plano atual é analisar os alvos potenciais, especialmente rochas, que deveremos selecionar para os próximos dias da missão?, diz Souza Júnior. E completa: ?Vamos também analisar o solo imediatamente à nossa frente, com os instrumentos do braço mecânico, começando pelo microscópio?. Nos primeiros dias, o robô vai trafegar na direção da depressão apelidada pelo cientistas de ?Sleepy Hollow? ? uma área em que eles esperam encontrar rocha exposta para um estudo detalhado do passado daquela região. A meta é encontrar sinais de água.