Internacional
It�lia investigar� a��o da Parmalat no Brasil
A Itália vai investigar as atividades financeiras da Parmalat no Brasil, ponte para os investimentos na América Latina, depois do depoimento de Gianfranco Bocchi, um dos contadores da gigante do setor de laticínios, que confessou que uma ?montanha de dinheiro? teria sido enviada ao país sul-americano. Bocchi foi preso no final de dezembro do ano passado por suspeita de fraude, junto com o ex-diretor-financeiro da Parmalat, Fausto Tonna. ?Não sei onde foi parar o dinheiro que buscam. Mas posso dar duas pistas interessantes: Revistem duas sociedades do grupo Carital do Brasil e Winshaw. Não conheço bem o assunto, só sei que foi lá o destino de uma montanha de dinheiro?, disse Bocchi. O depoimento foi dado no dia 14 de janeiro, mas o teor das afirmações só foi conhecido hoje?, disse Bocchi no depoimento. As autoridades italianas procuram pistas para saber onde foi parar um rombo estimado em 10 bilhões de euros. Segundo a imprensa italiana, pelo menos 750 milhões de euros teriam sido escondidos na América do Sul, possivelmente no Equador, por Calisto Tanzi, fundador e maior acionista da Parmalat. Tanzi visitou a região no final do ano passado. A América Latina representa entre 20% e 25% das vendas mundiais da Parmalat. A dívida da Parmalat Brasil com os bancos é estimada em R$ 1 bilhão (US$ 350 milhões). O Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo e a Parmalat o segundo maior comprador do produto no País. A empresa tem cerca de 6.000 trabalhadores no País e oito fábricas. O banco japonês Sumitomo conseguiu proibir na Justiça a venda de ativos da Parmalat no Brasil. Governo vai estocar leite Brasília - O Ministério da Agricultura anunciou, ontem, a primeira medida de apoio ao setor leiteiro do País, atingido pela crise da Parmalat. Serão liberados, por meio do Banco do Brasil, R$ 200 milhões para comercialização e estocagem de leite e de derivados. A medida é resultado de mais de duas semanas de discussões em Brasília. Uma comissão do Ministério da Agricultura havia solicitado R$ 500 milhões em financiamento para o setor e a compra de 2.000 toneladas de leite em pó. Segundo Ivan Wedekin, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, o montante faz parte dos recursos do banco destinados ao crédito rural. O banco tem de investir 25% dos depósitos a vista em financiamentos para a agricultura. Devido a uma maior entrada de capital em dezembro (R$ 12 bilhões), novos recursos poderão ser alocados para esses empréstimos. Todas as empresas do setor leiteiro poderão se beneficiar do crédito, mas será dada preferência às cooperativas. Metade dos recursos será liberada com juros de 8,75% ao ano, podendo ser financiado até 20% da capacidade de estocagem da companhia. O restante será negociado entre produtor e o banco.