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Embaixada tenta retirar 28 brasileiros do Haiti

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A embaixada do Brasil no Haiti deu início ontem a uma operação, com ajuda de um helicóptero, para resgatar os brasileiros que vivem no país. Segundo um funcionário da embaixada, 28 brasileiros vivem em território haitiano, mas a maioria mora fora da capital, Porto Príncipe, o que dificulta o trabalho. A embaixada está tendo dificuldade para localizar os brasileiros porque só dispõe de um telefone para isso. O clima de tensão no Haiti aumentou, ontem, depois que rebeldes armados, que já tomaram metade do país, alertaram sobre um ataque iminente à capital, Porto Príncipe, e aconselharam o presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide, a deixar seu palácio nacional imediatamente. Barricadas foram colocadas nas ruas antes de um eventual ataque dos rebeldes -muitos são soldados que acusam Aristide de corrupção. Poucos defensores do presidente haitiano foram às ruas ontem. Escolas estavam fechadas e o comércio foi suspenso, enquanto muitos moradores ficaram em casa. Estrangeiros e haitianos corriam para o aeroporto para fugir da cidade, temendo que vôos para dentro e fora do país fossem suspensos. ?O ataque é iminente e peço à população para ficar em casa quando atacarmos Porto Príncipe??, declarou o líder rebelde Guy Philippe a uma rádio local a partir de Cap Haitien, a segunda maior cidade do país que foi tomada pelos rebeldes na semana passada. ?Aconselho o presidente Aristide a deixar o palácio nacional imediatamente. Estaremos atacando logo e capturando-o??, disse o ex-chefe de polícia. Sem acordo Uma solução negociada parece distante. Grupos políticos de oposição, que se distanciam dos rebeldes, insistem que Aristide deve renunciar, minando os esforços da comunidade internacional de chegar a uma solução para conflito com um acordo de divisão de poder. A rebelião que já dura três semanas no país mais pobre da América colocou a força policial de Aristide, com 4.000 membros, contra centenas de manifestantes. Enquanto os Estados Unidos demoram em agir para ajudar a controlar a crise, a França aproveitou para tentar liderar os esforços para retomar a ordem. O país pede que uma missão de paz internacional seja enviada sem demora ao Haiti. ?Washington tem outras prioridades -Iraque, Afeganistão??, disse Jean-Jacques Kourliandsky, do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas. Nesta semana, o presidente norte-americano, George W. Bush, rejeitou o pedido de ajuda de Aristide, argumentando que um acordo político deveria ocorrer primeiro. A França propôs que uma força de paz civil fosse enviada ao país e exigiu que Aristide renunciasse para abrir caminho para um governo transitório de conciliação nacional. Mais de 60 pessoas já morreram desde 5 de fevereiro, quando os rebeldes, uma aglutinação de gangues e ex-soldados fortemente armados, começaram uma revolta ao tomar a cidade de Gonaives. Durante uma entrevista à rede de TV americana CNN, ontem, Aristide afirmou que vai se manter no cargo até fevereiro de 2006, como está previsto na Constituição. ?Deixarei o palácio no dia 7 de fevereiro de 2006, o que é bom para a democracia?, disse Aristide, depois de lembrar que o país já ?teve 32 golpes de Estado e isso é o suficiente?.

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