Internacional
Partido ligado ao ETA rejeita envolvimento com o atentado
São Paulo, SP (Agência Folha) - Reconhecido como braço político do ETA, o Partido Batasuna, na ilegalidade, rechaçou a possibilidade de o grupo terrorista ter cometido os atentados em Madri. ?Deixemos algo muito claro: não contemplamos, nem como mera hipótese, a possibilidade de que tenha sido o ETA. Nem hoje, nem amanhã, nem daqui a seis meses??, disse à Folha de S.Paulo Juan José Petrikorena, 39, um dos cinco membros da mesa diretora do Batasuna, em entrevista. ?Pelo modus operandi e pelos objetivos não se pode estabelecer nenhuma relação do ETA com esse atentado.?? O dirigente afirmou que o Batasuna repudia ?qualquer violência contra a população civil?? e externou ?solidariedade às famílias das vítimas??. Sobre a influência do atentado nas eleições de domingo, Petrikorena argumentou que ?o partido do governo [o Partido Popular, de centro-direita] tentará capitalizar isso ao máximo?. Uma vitória do PP tende a significar maior repressão aos radicais bascos. Julen de Madariaga, fundador do ETA disse a uma rede de TV basca que os atentados não foram obra do grupo. ?Não é o método de trabalho do ETA.?? O Batasuna (Unidade, em basco) foi banido em agosto de 2002 pela Justiça e pelo Parlamento espanhol, sob a acusação de financiar e assessorar o ETA. Quando do ingresso na ilegalidade, o partido tinha cerca de 900 vereadores e 15 deputados nos Parlamentos dos País Basco e de Navarra. Nas eleições parlamentares bascas de 2001, obteve 143 mil votos ou 10% do total. O PNV (Partido Nacionalista Basco), moderado, governa o País Basco em coalizão com o Eusko Alkartasuna (unidade do País Basco). O País Basco é uma das regiões mais ricas da Espanha, com governo e Parlamento próprios.