Internacional
Descoberto um novo planeta no Sistema Solar
São Paulo, SP (Agência Globo) - Cientistas da Nasa e do Caltech -Instituto de Tecnologia da Califórnia- divulgaram ontem a descoberta de um novo planeta na órbita do Sol. O planeta, chamado de Sedna, é três vezes mais distante da Terra do que Plutão, tornando-o o mais distante objeto conhecido do Sistema Solar. Na mitologia dos Inuit, povo ártico, Sedna é o nome da deusa que criou os seres marinhos da região. Atualmente, Sedna está a 13 bilhões de quilômetros da Terra. Segundo os pesquisadores, talvez o planetóide possa ter até uma fina atmosfera. Esta é provavelmente a primeira confirmação da existência da ?nuvem de Oort?, um longíquo depositório de pequenos corpos gelados que fornece os cometas que passam pela Terra. O Sedna é o segundo objeto mais vermelho do Sistema Solar depois de Marte. Com um tamanho estimado de 75% de Plutão, trata-se do maior objeto detectado na órbita do Sol desde a descoberta do planeta, em 1930. A região em que Sedna está localizado é tão distante do Sol que a temperatura nunca passa dos 240° C negativos. O planetóide é geralmente ainda mais frio, porque se aproxima do Sol somente por pouco tempo durante sua órbita de 10.500 anos. No ponto mais distante, Sedna fica a 130 bilhões de quilômetros da Sol, ou 900 vezes a distância de nosso planeta para o centro do sistema. Os cientistas usaram o fato de que mesmo o sensível telescópio Spitzer, responsável pela descoberta, era incapaz de detectar o calor de Sedna para determinar que ele possui cerca de 1.600 quilômetros de diâmetro - menor que Plutão. Combinando os dados disponíveis, os astrônomos estimam que Sedna esteja entre os tamanhos de Plutão e Quaoar, planetóide descoberto pela mesma equipe em 2002. Até o Sedna, o Quaoar era o maior objeto depois de Plutão. A órbita extremamente elíptica de Sedna é diferente de qualquer outra prevista pelos astrônomos; todavia, lembra a de objetos cuja existência era prevista na nuvem de Oort. A nuvem explica a existência de certos cometas. Acredita-se que ela esteja ao redor do Sol e estenda-se até metade do caminho até a estrela mais próxima. Porém, Sedna está 10 vezes mais próximo do que a distância prevista para a nuvem de Oort. Os astrônomos dizem que esta ?nuvem interior? pode ter sido formada pela a gravidade de uma estrela ?errante? próxima do Sol no começo do Sistema Solar. Ainda sem evidência de que tenha uma lua, o Sedna agora será examinado por um dos maiores telescópios ópticos da Terra, o Gemini, no Havaí. O planeta irá ficar mais perto e mais brilhante pelos próximos 72 anos antes de começar sua viagem de 10.500 anos para longe do Sol. A última vez em que esteve tão perto, a Terra estava apenas saindo da última Era do Gelo.