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Tens�o no Oriente M�dio: Israel mata l�der do Hamas

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São Paulo, SP (Agência Folha) - Tropas israelenses bloquearam os territórios palestinos da Cisjordânia e da faixa de Gaza, após matarem o xeque Ahmed Yassin, 67, fundador e líder espiritual do grupo extremista palestino Hamas. Yassin foi morto ontem de manhã em uma operação realizada por helicópteros de Israel. Segundo um informe militar israelense, o ataque deixou outros sete mortos e 15 feridos, incluindo dois dos filhos do xeque, suscitando ameaças de vingança e um clima de tensão nos territórios palestinos. Yassin foi morto em sua cadeira de rodas na saída da mesquita do bairro de Sabra, em Gaza, onde tinha ido para a oração matinal. Um helicóptero israelense disparou três foguetes. Segundo a rádio pública israelense, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, deu pessoalmente sua autorização para o assassinato do xeque Yassin e supervisionou a operação. O gabinete de segurança israelense decidiu intensificar suas operações contra os movimentos radicais palestinos em represália a um duplo ataque no porto israelense de Ashdod na terça-feira passada, que resultou em dez mortes. Este duplo ataque, contra um alvo considerado por Israel como ?estratégico?, foi reivindicado conjuntamente pelo Hamas e pelas Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, ligadas ao Fatah, de Iasser Arafat. ?O xeque Yassin merecia a morte por todos os atentados terroristas cometidos pelo Hamas?, declarou o vice-ministro da Defesa, Zeev Boim. Críticas Autoridades de países árabes e europeus criticaram o assassinato do xeque, argumentando que a execução interrompeu todas os tentativas de retomada do processo de paz na região. Enquanto os Estados Unidos, Japão e Austrália pediram calma à população e aos líderes locais, a Grã-Bretanha e outros países da Europa afirmaram que o ataque representa uma afronta às leis internacionais. Líderes árabes e islâmicos condenaram duramente o assassinato e disseram que uma nova onda de violência pode ocorrer no Oriente Médio. O ditador sírio, Bashar al Assad, classificou o assassinato de ?crime horrendo?. Em resposta ao assassinato de Yassin, o grupo islâmico extremista Hizbollah lançou mísseis contra as fazendas de Chebaa, uma área que, segundo a ONU, é síria sob ocupação israelense. O Hizbollah diz que a região é do Líbano e exige a retirada israelense. Israel respondeu à ação com um ataque aéreo contra posições do grupo no sul do Líbano. Não houve vítimas. Quem era Yassin O xeque Ahmed Yassin era o fundador e líder espiritual do movimento radical palestino Hamas, que reivindicou dezenas de atentados sangrentos contra Israel. Em setembro passado, Yassin sofreu ferimentos leves no ombro direito em outro ataque aéreo israelense. Enfermo há anos, Yassin é uma figura emblemática dos radicais palestinos e suas fotos estão muito presentes em toda a Faixa de Gaza. Ele repetiu, até a exaustão, que o Hamas não iria parar os ataques suicidas se o Exército israelense não deixasse de ?matar mulheres, crianças e civis inocentes?. O último atentado, cuja autoria foi reivindicada pelo Hamas, deixou 12 mortos, incluindo os dois autores suicidas, na terça-feira passada, no porto de Ashdod, sul de Israel. De baixa estatura, barbudo e com o barrete branco característico dos islâmicos, o fundador do Hamas, acrônimo em árabe do Movimento da Resistência Islâmica, era paraplégico desde os 12 anos, em conseqüência de um golpe recebido na coluna vertebral durante uma partida de futebol no campo de refugiados de Chatti, na Faixa de Gaza, onde vivia. Desde então, se deslocava em uma cadeira de rodas. Pai de 11 filhos, ele fazia parte dos refugiados expulsos em 1948, por ocasião da primeira guerra árabe-israelense, do território que forma Israel hoje em dia. Yassin nasceu em 1936 em Majdel, perto de Ashkelon. Em 1948, seu povo, assim como tantos outros, foi arrasado pelas forças judaicas e ele se encontrou na Faixa de Gaza, onde concluiu seus estudos secundários. Apesar de sua paralisia, seguiu para o Cairo e passou um ano na Universidade Ain Chams. Teve de interromper os estudos por falta de dinheiro, mas travou conhecimento com os fundamentalistas do movimento dos Irmãos Muçulmanos. Nos anos 70, funda sua própria organização, o Mujama Al Islami, e começa a recrutar jovens ansiosos de passarem das palavras para a ação. Naquele momento, Israel finge não ver e até alimenta, de maneira discreta, os radicais que estendem sua influência pela Faixa de Gaza, com o objetivo de debilitar o movimento Fatah, de Yasser Arafat. No início dos anos 80, no rastro da Revolução iraniana, Yassin cria uma organização integrista mais radical, Majd El Mudjahiddine (?glória dos combatentes do Islã). Ele é detido, porém, em 1984, e condenado por porte de armas e explosivos. Permanece um ano na prisão antes de ser libertado em uma troca de prisioneiros. Pacientemente, põe em marcha outra nova organização, o Hamas, que proclama sua existência em 14 de dezembro de 1987, no início da primeira Intifada. Detido em maio de 1989 por Israel, é condenado à prisão perpétua em outubro de 1991, e ataca seus juízes: ?O povo judeu bebeu do copo do sofrimento e viveu disperso pelo mundo. Hoje, esse mesmo povo quer obrigar os palestinos a beber do mesmo copo. A História não vai perdoá-los e Deus julgará todos?. Em outubro de 1997, é solto e expulso para a Jordânia, após oito anos e meio de reclusão, graças à intervenção do rei Hussein. O monarca jordaniano, escandalizado por uma intentona dos serviços secretos israelenses de assassinar em Amã o chefe do escritório político do Hamas, Khaled Mechaal, obtém a libertação de Yassin contra a entrega de dois agentes israelenses reclusos na Jordânia. Após uma breve hospitalização em Amã, Yassin retorna para Gaza. Suas relações com a Autoridade Palestina foram marcadas por altos e baixos, entretanto, incluindo duas breves detenções domiciliares, em dezembro de 2001 e junho de 2002, ordenadas por Arafat. Funeral reúne 200 mil com pedidos de vingança São Paulo, SP (Agência Folha) - Cerca de 200 mil pessoas, simpatizantes do Hamas e de outros grupos extremistas palestinos, invadiram ontem as ruas de Gaza, pedindo vingança, após o assassinato do xeque Ahmed Yassin. O funeral do xeque foi considerado a celebração mais importante no território palestino desde o início da Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense), em setembro de 2000. Avançando lentamente pelas ruas de Gaza, militantes do braço militar do Hamas, encapuzados e armados com fuzis, levaram o corpo do líder espiritual do hospital Al Shifa até o ?Cemitério dos Mártires?. Antes de chegar, o cortejo passou pela casa do xeque, no bairro de Sabra, e depois pela mesquita Al Omari, a maior de Gaza, para orações pelo morto. O caixão estava envolto com uma bandeira verde do Hamas, com a inscrição: ?Não existe mais que um Deus, e Maomé é seu profeta??. No cemitério, dois homens de barba tiraram o corpo do caixão, envolto em um lenço branco, e beijaram o rosto do xeque, antes de enterrá-lo. Também colocaram na cova bolsas negras com pedaços de cadáver, recolhidos no lugar do ataque. Combatentes dispararam diversas vezes para o alto enquanto o cortejo se dirigia ao cemitério. Com o rosto coberto e com um fuzil de assalto Kalashnikov em mãos, um integrante do braço militar da Frente Popular para a Libertação da Palestina prometeu ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, o mesmo destino que teve o ministro Rehavam Zeevi, assassinado pelo grupo em 2001. Gritando ?vingança, vingança?, a multidão carregava imagens do xeque, bandeiras verdes do Hamas e de outros grupos palestinos. Arafat decreta luto oficial nos territórios palestinos O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, condenou o assassinato do líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, por parte de Israel, e decretou três dias de luto nos territórios palestinos. O líder palestino disse que este assassinato ?reforçará a unidade nacional palestina frente a este crime e aos complôs bárbaros de Israel, que ultrapassam todos os limites?. Segundo ele, apesar deste ?crime bárbaro?, o povo palestino continuará sua ?resistência heróica contra a ocupação e o muro do apartheid e da expansão?. ONU O secretário-geral da ONU (Organização da Nações Unidas), Kofi Annan, disse que o assassinato do fundador e líder espiritual do grupo extremista islâmico Hamas, xeque Ahmed Yassin, 67, pelo Exército israelense foi ilegal e um obstáculo para a paz. ?Condeno o assassinato do xeque Yassin e dos outros que morreram com ele??, afirmou Annan. ?Tais ações não apenas são contrárias ao direito internacional, como não fazem nada para ajudar na busca de uma solução pacífica. Peço a todos na região que mantenham a calma e evitem qualquer aumento da tensão??, declarou. A ação aconteceu ao mesmo tempo que representantes do chamado Quarteto para o Oriente Médio (formado por Estados Unidos, ONU, União Européia e Rússia, que buscam processo de paz na região) deveriam se reunir, ontem, no Egito. EUA negam envolvimento no assassinato do xeque O assassinato do líder espiritual de Ahmed Yassin, ?aumenta o clima de tensão? no Oriente Médio, anunciou o Departamento de Estado americano, acrescentando que o governo dos Estados Unidos está ?profundamente preocupado? com a ação israelense. O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse que Israel tinha o direito de se defender, mas acrescentou: ?Acreditamos que este fato aumenta a tensão e não ajuda nos esforços para alcançar a paz?, disse o porta-voz. Mais cedo, os EUA negaram veementemente qualquer envolvimento no assassinato de Yassin. A Casa Branca também pediu calma na região. A conselheira americana para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice, afirmou em entrevista a redes de TV americanas que os EUA não foram alertados sobre o assassinato. Ameaça Um site islâmico publicou ontem uma nota atribuída à rede Al-Qaeda prometendo vingança contra os EUA e seus aliados por causa da morte do xeque Ahmed Yassin. ?Dizemos aos palestinos que o sangue do xeque Yassin não será derramado em vão e convocamos todas as legiões da Brigadas de Abu Hafs al-Masri para vingá-lo atacando o tirano destes tempos, os EUA, e seus aliados?, afirmou ao site ?Al ansar Forum? o grupo Brigadas de Abu Hafs al-Masri, que seria associado à rede de Osama bin Laden e que reivindicou os atentados de 11 de março em Madri

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