Internacional
Suicida explode e mata 2 em Congresso da Bol�via
São Paulo, SP (Agência Folha) - Em ação bastante incomum na América Latina, um mineiro suicidou-se explodindo uma carga de dinamites que carregava junto a seu corpo ontem na sede do Congresso boliviano, matando dois policiais e deixando sete pessoas feridas, segundo informou o presidente Carlos Mesa, em entrevista coletiva no Palacio Quemado, localizado a cerca de 50 metros do local do atentado. Mesa classificou a ação como um ?fato isolado?, sem nenhuma conotação política ou social. Segundo o presidente, o suicida era uma pessoa ?aparentemente desesperada, com um conjunto de exigências de caráter estritamente pessoal, que portava uma forte carga de explosivos no corpo e na mochila e que levou adiante uma ação, gerando este drama?. A explosão ocorreu por volta das 15h locais no edifício anexo à sede principal do Poder Legislativo, no centro de La Paz. O mineiro Eustaquio Pichacui teria sido detido quando tentava entrar no recinto do Congresso. Aos gritos, exigia a devolução do dinheiro que recolheu para a sua aposentadoria. Ele se explodiu enquanto policiais tentavam negociar. Entre os mortos está o comandante da segurança do Congresso, Marvel Flores. O presidente da Câmara dos Deputados, Oscar Arrien, já havia ordenado a desocupação do plenário pouco antes da detonação. Dois ministros estavam na sessão. A vice-presidente do Congresso, Elsa Guevara Aguirre, disse que recebeu ameaças anônimas sobre um ataque desse tipo. Conhecidos como a ?geração sanduíche?, os trabalhadores sem aposentadoria alegam ter sido prejudicados por uma reforma da Previdência implantada em 1997 pelo então presidente, Hugo Banzer, morto em 2002. Ao implantar o novo modelo previdenciário, a reforma zerou todas as contribuições feitas até aquele ano, prejudicando sobretudo trabalhadores de 40 a 60 anos. Eles ficaram obrigados a contribuir por mais 25 anos. Embora com importância menor, a ?geração sanduíche? atuou nos protestos que levaram à renúncia do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, em outubro passado. No lugar assumiu seu vice-presidente, Carlos Mesa. Durante os protestos, que paralisaram a Bolívia durante cerca de um mês, era comum o uso de dinamite pelos manifestantes, mas apenas como efeito sonoro.