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El Salvador: governo culpa gangues por onda de assassinatos

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A recente onda de violência em El Salvador – que resultou em 87 assassinatos no fim de semana – foi atribuída pelo governo do país a grupos criminosos organizados, como Mara Salvatrucha e Barrio 18. As autoridades informaram que prenderam, nos últimos dias, 2.163 pessoas. A nova leva de mortes começou a ser registrada no sábado (26) — e, aparentemente, atingiu alvos que não teriam envolvimento nas guerras entre gangues, como vendedores de rua, taxistas, pessoas que estavam comprando pão etc. Segundo o jornal “The New York Times”, no ano passado o governo dos Estados Unidos acusou o atual presidente, Nayib Bukele, de fazer um acordo secreto com algumas gangues (inclusive com a Mara Salvatrucha). Reportagens publicadas em jornais salvadorenhos também apontam que o governo negociou com os grupos criminosos para reduzir os homicídios. Bukele não é o primeiro presidente salvadorenho acusado de fechar acordos com as gangues. Ele se elegeu com a promessa de diminuir a violência no país, o que de fato ocorreu: em 2021, foram registrados 1.147 homicídios, enquanto em 2017 foram 3.962. O presidente nega que tenha feito acordos com as gangues. A medida foi vista com preocupação por entidades de direitos humanos. O ex-secretário da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) Paulo Abrão chamou de “populismo penal” as medidas adotadas no país contra a violência. “Ilegalidades para enfrentar ilegalidades. Barbáries para enfrentar barbáries”, publicou Abrão no Twitter. Bukele respondeu de imediato: “Vocês na OEA e a CIDH foram os que patrocinaram a trégua (entre gangues) que só fortaleceu os grupos criminosos e lhes permitiu acumular recursos, dinheiro e armamento. Levem sua peste (as gangues) do nosso país.”

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