Internacional
UCRÂNIA DIZ NÃO VER SINAIS DE QUE RÚSSIA ENCERRARÁ GUERRA
Vice-ministra da Defesa afirma que país não tem condições de retirar as forças russas de cidade portuária
A inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia disse na quarta-feira (11) que não vê a Rússia terminando a guerra em um curto espaço de tempo. “No momento, não há sinais de que o Kremlin [governo russo] pretenda acabar com a guerra na Ucrânia em um futuro próximo”, disse o setor em comunicado. Para a Defesa ucraniana, o que acontece, na verdade, seria o contrário. “Em vez disso, as tentativas de realizar a chamada ‘mobilização secreta’ continuam. Uma ativa campanha de agitação está em andamento”, citando o suposto envio de jovens militares para a zona de combate. Na última terça-feira (10), os Estados Unidos, país aliado dos ucranianos, disseram que estão prevendo um “longo conflito” entre Rússia e Ucrânia. Nessa quarta (11), o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, comentou que “a operação militar especial” - maneira como os russos chamam a invasão do território ucraniano - “está se desenvolvendo de acordo com o planejado”, sem mencionar prazos. A guerra já chegou ao seu 77º dia com mais ataques russos ao território ucraniano. Na fronteira da Rússia, porém, governadores regionais renovaram o “nível amarelo” para ameaça terrorista por mais duas semanas, até 25 de maio.
MARIUPOL
A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, disse ontem que o país não tem condições de retirar as forças russas da cidade portuária de Mariupol, no sudeste ucraniano. “Se houvesse pelo menos uma oportunidade de desbloquear a cidade por meios militares, a liderança do país a usaria”, declarou em pronunciamento à imprensa ucraniana. Mariupol está sitiada por forças russas há cerca de dois meses, praticamente desde o início da invasão da Rússia ao território ucraniano. Atualmente, o ponto de resistência ucraniana na cidade, que é estratégica para a Rússia, é o complexo Azovstal, onde combatentes da Ucrânia estão abrigados. A vice-ministra ainda comentou que Mariupol é atualmente defendida pelas Forças Armadas, pelas guardas de fronteira, pela Guarda Nacional e pela Polícia Nacional. “Devemos entender que este tema é muito sensível e cada palavra pode ser usada pelo inimigo e prejudicar os nossos defensores.” Maliar reforçou que os civis já foram evacuados de Azovstal. Ontem, os combatentes que ainda estão no complexo fizeram novo apelo para serem retirados. Entre terça-feira e quarta-feira, eles indicaram que Azovstal foi alvo de ao menos 38 ataques das forças russas. Os bombardeios da Rússia foram confirmados pelo Ministério da Defesa da Ucrânia.
“GUETO MEDIEVAL”
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O prefeito de Mariupol, Vadym Boychenko, disse que os ocupantes russos transformaram a cidade portuária em um “gueto medieval”. “Sem remédios e cuidados médicos, restauração do abastecimento de água e esgoto adequado na cidade, as epidemias vão explodir. Hoje, a maioria da população atual é idosa e doente. Sem condições adequadas, a mortalidade entre os grupos vulneráveis aumentará exponencialmente.”
PERIGO
O prefeito de Mariupol disse estimar que “mais de 10 mil pessoas podem morrer de doenças e condições intoleráveis em Mariupol”. A cidade estaria atualmente com cerca de 150 mil habitantes, segundo o prefeito. “Nosso povo está em perigo mortal. Portanto, é necessária uma evacuação completa da cidade”.
GÁS RUSSO
A Ucrânia restringiu pela primeira vez desde que foi invadida pela Rússia, há 77 dias, o fluxo de gás natural que o país de Vladimir Putin vende para a Europa e passa por dutos em seu território. A medida pegou de surpresa analistas ocidentais, que buscam amplificar ao máximo notícias que pareçam favoráveis ao governo de Kiev em sua luta contra os russos, como uma ofensiva no nordeste do país que recapturou algumas vilas na quarta-feira (11).