Internacional
Ex�rcito incrimina mais 27 por abusos em pris�o
Pelo menos 27 soldados de inteligência militar e oito civis estiveram envolvidos nos abusos contra prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, segundo uma investigação do exército divulgada ontem. Dirigida pelo general de duas estrelas George Fay, a investigação apontou como responsável o general de três estrelas Ricardo Sánchez, que foi o chefe de operações militares no Iraque. ?Sánchez não foi culpado pelos abusos, mas é responsável?, disse em entrevista coletiva o general Paul Kern, encarregado da comissão que investigou a participação de soldados da Brigada 205 de Inteligência Militar nos maus-tratos contra iraquianos. Segundo Kern, Sánchez chegou ao Iraque com um plano de ação para a pacificação e a reconstrução do país depois da invasão americana, e se deparou, para sua surpresa, com uma crescente insurgência. ?Sánchez teve de modificar os planos e as operações, e pressionou muito seus subordinados para que obtivessem rapidamente informação sobre um inimigo sem rosto, que atacava as forças americanas?, acrescentou. Terça-feira, uma comissão investigadora a cargo do ex-chefe do Pentágono James Schlesinger indicou que a responsabilidade pelos abusos sofridos por alguns detidos iraquianos chegavam aos níveis mais altos da hierarquia de comandantes em Washington. Assim como o de Schlesinger, o relatório divulgado ontem pelo exército reitera que os abusos, conhecidos no mundo todo por dezenas de fotografias divulgadas desde abril, foram cometidos por um número reduzido de soldados, e não resultaram de ordens ou autorizações dos comandantes. Kern disse que, durante a análise de mais de 9 mil documentos, entrevistas com 170 pessoas e várias visitas ao presídio de Abu Ghraib, perto de Bagdá, a investigação dirigida por Fay descobriu ?oito prisioneiros fantasmas?. ?São indivíduos que foram capturados e detidos em Abu Ghraib, mas que não foram registrados, como exigem as normas internacionais?, acrescentou. ?Se houve mais detidos fantasmas, não podemos saber, justamente porque não há documentação?. Esta investigação, disse Fay, identificou 23 soldados da Brigada 205 e quatro civis vinculados aos abusos. Além disso, outros seis soldados e dois prestadores de serviço violaram as regulamentações porque não informaram sobre os abusos. Entre os soldados, disse Kern, há dois da equipe médica cuja responsabilidade foi apontada porque não informaram os superiores sobre os maus-tratos sofridos pelos presos.