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Multid�o protesta contra o terror na R�ssia

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Dezenas de milhares de russos se reuniram ontem na Praça Vermelha, em frente aos muros do Kremlin, em Moscou, no maior protesto contra o terrorismo realizado até hoje no país. Para a oposição política, a manifestação é uma forma de desviar atenções das críticas à forma como o governo de Vladimir Putin lidou com a crise de reféns na escola da Ossétia do Norte. O protesto acontece no segundo dia de luto nacional pelas vítimas do massacre na escola de Beslan, na República russa da Ossétia do Norte, que terminou com pelo menos 335 mortos, a maioria crianças, de acordo com números divulgados pelas autoridades russas. Toda a área ao redor da Praça Vermelha, destinada ao protesto, foi isolada por agentes do Ministério do Interior. Para entrar no local foi preciso passar por detetores de metais. A polícia exigiu a identificação de qualquer um que deixasse o local durante a manifestação, durante a qual qualquer pessoa podia teoricamente fazer uso da palavra. A manifestação, uma das várias sendo realizadas na Rússia, teve o apoio oficial do Kremlin e foi promovida pela TV estatal e por folhetos que anunciavam a presença de personalidades da cultura e do esporte. A polícia calcula que cerca de 100 mil pessoas participaram do protesto em Moscou. No entanto, políticos da opo-sição disseram que o protesto de Moscou foi deliberadamente or-ganizado para abafar as críti-cas à forma como Kremlin lidou com a crise e o fracasso do presi-dente Vladimir Putin em garantir a segurança do povo russo. Em seu site na Internet, a Gazeta.ru disse que não ?há dúvidas de que os organizadores (da manifestação), em primeiro lugar, expressarão solidariedade não com as vítimas dos atos de terrorismo, mas com o presidente Vladimir Putin?. A pressão sobre a imprensa para que obedecessem às instru-ções do Kremlin aumentou na se-gunda-feira, após a demissão do editor do respeitado jornal ?Izvestia?, por ter publicado fotografias con-sideradas muito dramáticas do fim do seqüestro em Beslan. ?É necessário uma manifestação política, mas os temas preparados não refletem o que deve ser feito para evitar que uma tragédia se repita?, disse à rádio Ekho Moskvy a política liberal Irina Khakamada. ?A manifestação apenas refleti-rá a ideologia do Estado?, acrescentou. Enquanto isso, na capital da República russa da Ossétia do Norte, Vladikavkaz, centenas de manifestantes exigiram ontem a demissão do governo local, infor-mou a agência de notícias Interfax. Os manifestantes exigiram a renúncia do presidente da República norte-osseta, Alexandr Dzasójov, e a destituição dos chefes dos serviços de segurança locais. No sábado passado, o ministro do Interior da Ossétia do Norte, Kazbek Dzantiev, apresen-tou sua demissão, que não foi aceita por Dzasójov.

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