Internacional
Chefe de ONG brit�nica � seq�estrada no Iraque
A chefe de operações, no Iraque, de uma das mais importantes organizações humanitárias do mundo entrou para a longa lista de estrangeiros e iraquianos associados a eles seqüestrados por grupos extremistas e insurgentes naquele país. Margaret Hassan, que é casada com um iraquiano e vive no país há 30 anos, coordena as atividades locais da ONG britânica Care International, para a qual trabalha desde sua instalação no país, no início dos anos 1990. Margaret tem dupla nacionalidade: iraquiana e britânica. O governo do primeiro-ministro Tony Blair manifestou preocupação com o episódio, ocorrido duas semanas depois da decapitação, diante de uma câmera, do engenheiro britânico Kenneth Bigley, refém de extremistas no Iraque. O caso causou enorme comoção na Grã-Bretanha, onde houve forte oposição popular à guerra. Bigley foi o primeiro britânico executado por seqüestradores no Iraque. A emissora de TV Al-Jazeera, do Qatar, veiculou imagens de Margaret Hassan no que parece ser seu cativeiro. Mais cedo, uma porta-voz da Care havia confirmado o seqüestro. O vídeo divulgado pela Al-Jazeera mostra a mulher sentada em uma sala, com uma fisionomia ansiosa, e tem closes de documentos de identificação dela. Não há áudio. Segundo a emissora de TV do Qatar, a gravação chegou acompanhada de uma mensagem de um grupo iraquiano não identificado, reivindicando a autoria do seqüestro. Segundo a porta-voz da Care International, Margaret Hassan, foi levada às 7h30 (1h30 em Brasília). Ela afirmou não ter idéia de quem estava por trás do seqüestro. ?Queremos ressaltar que ela (Margaret) se vê como uma iraquiana. O Iraque é seu lar. Ela vive lá há muitos anos e nunca consideraria retornar à Grã-Bretanha?, disse a porta-voz. Margaret Hassan era funcionária da Care Austrália, como diretora local. O secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, se disse ?muito preocupado? com o episódio. ?Nossos pensamentos e orações vão para ela, sua família e seus colegas?, disse Straw. O secretário de Defesa, Geoff Hoon, que na segunda-feira anunciou, no Parlamento, que tropas britânicas seriam deslocadas para dar reforço aos americanos, disse que o seqüestro é um acontecimento ?muito perturbador?. ?Isso demonstra até onde esses terroristas irão?, disse o ministro. Uma porta-voz do Ministério de Relações Exteriores disse que autoridades britânicas no Iraque estão tentando averiguar o que ocorreu e que estão em contato com representantes do governo iraquiano para tratar do assunto. A Care International, que atua em 72 países, é a única ONG a manter presença contínua no Iraque. A maioria das organizações de ajuda humanitária restantes no Iraque retirou-se depois do seqüestro de duas italianas que trabalhavam para a ONG Uma Ponte para Bagdá. Elas foram libertadas. Quatro membros da Guarda Nacional Iraquiana morreram e outros 80 foram feridos ontem após seis morteiros [de alto poder explosivo] terem sido lançados contra uma base militar iraquiana em Mushahidah, 40 km ao norte de Bagdá [capital iraquiana]. O número de mortos e feridos foi fornecido por oficiais do Exército dos Estados Unidos. Ao menos seis morteiros de grande potência acertaram em cheio o edifício da Guarda Nacional, segundo agências de notícias internacionais. Os feridos foram removidos a hospitais por helicópteros do Exército dos EUA. A Guarda Nacional tem sido alvo de insurgentes iraquianos que tentam minar os esforços dos EUA para impor a segurança no país antes da eleição para a Presidência dos EUA, em 2 de novembro. Refinaria Também ontem, militantes atacaram um oleoduto que interliga a refinaria da cidade de Beiji, 250 km ao norte de Bagdá, capital do Iraque, com a Turquia, segundo um comunicado oficial da polícia iraquiana. Os rebeldes usaram explosivos no oleoduto, que pegou fogo. Um representante da refinaria Nothern Oil Company confirmou o ataque, mas não forneceu outras informações.