Internacional
Israel decide deixar Faixa de Gaza e faz hist�ria
O Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou ontem o plano unilateral de retirada israelense da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia no ano que vem. Depois de dois dias de debate aguerrido, os parlamentares deram aval à proposta apresentada pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, apoiada pelos Estados Unidos e denunciada como traição por milhares de colonos judeus reunidos ontem em frente ao Parlamento para protestar. Após a votação, Sharon demitiu um ministro e um vice-ministro de seu gabinete depois que eles votaram contra o plano de retirada. O ministro Uzi Landau e o vice-ministro Michael Ratzon, que pertencem ao Likud, partido de Sharon, receberam cartas de demissão logo após a aprovação do plano de retirada no Parlamento, ontem. Antes da votação, o premier havia ameaçado demitir os ?rebeldes? do Likud. ?Ele cumpriu sua promessa. Aqueles que se opuseram na votação foram demitidos?, disse o porta-voz do premier, Raanan Gissin. Por outro lado, o ministro das Finanças de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que ele e outros três integrantes do governo e do Likud, partido de Sharon, vão renunciar a menos que o primeiro-ministro concorde com a realização de um plebiscito sobre a retirada. Abalos Se o plano for levado a cabo, encerrará a presença de assentamentos judeus da Faixa de Gaza, que já dura 37 anos. Esta será a primeira vez que Israel deixará terras anexadas na guerra de 1967 contra os árabes e onde os palestinos desejam estabelecer um Estado. Para isso, porém, a retirada ainda precisa da apreciação final do gabinete de Sharon, marcado para março. O premier decidiu sujeitar o plano ao Parlamento, apesar de abalos na coalizão de governo, crescentes ameaças de morte e temores de um levante civil. Sharon diz que a retirada de Gaza vai permitir que Israel consolide seu controle de partes da Cisjordânia com enclaves judeus maiores. No Knesset, a proposta obteve 67 em favor e 45 contra. Sete parlamentares abstiveram-se e um faltou à votação. ?Este é um grande dia para Israel?, afirmou a líder dos trabalhistas no Parlamento, Dalia Itzik. O ministro do gabinete palestino Saeb Erekat disse, instantes após o Parlamento aprovar a retirada, que a medida terá que vir acompanhada da retomada das negociações do mapa da paz, plano de paz para o Oriente Médio, para surtir grande efeito. ?Se o governo de Israel considera seriamente a paz ele deveria voltar à negociação do mapa da paz e fazer a proposta para a retirada de Gaza como parte do plano e não uma alternativa a ele?, comentou Erekat. Do lado de fora, ao longo de todo o dia, milhares de manifestantes - colonos e pessoas ligadas a movimentos de direita - reuniram-se para acusar Sharon, de traição. Nacionalistas que são contra a retirada, muitos deles mulheres e crianças de assentamentos, congregaram-se cercados pela polícia, exibindo cartazes com dizeres como: ?Sharon é um traidor? e ?Soldados, desobedeçam às ordens de nos retirar?. Os manifestantes esperavam mudar a opinião dos parlamentares, ao formar uma corrente humana em torno do prédio e interromper o tráfego com uma carreata lenta.